O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 05/10/2021

Na década de 1980, começaram a surgir no Brasil os primeiros casos da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), doença manifestada após a infecção do organismo pelo HIV. AIDS foi uma das doenças com maior índice de morte, devido à falta de recursos e tratamentos disponíveis. Entretanto, no ano de 1995, a associação de vários remédios pôde ser prescrita para o tratamento, e essa circunstância deixou de ser vista como uma sentença de morte. Nesse contexto, percebe- se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de conscientização e de políticas públicas.

Segundo o Boletim de Epidemiologia do CRT (Centro de Referência e Treinamento), na sociedade atual, 50% dos casos aumentaram significativamente entre os jovens de 15 a 19 anos. Dada a falta de medo de alguns jovens, essa situação mostra que a situação é preocupante, embora a doença seja teoricamente de conhecimento comum entre a população. Além disso, segundo o Unaids, por sua vez, os homossexuais são mais suscetíveis a essa doença. No entanto, por serem historicamente discriminados na sociedade brasileira, tendem a buscar o diagnóstico e tratamento mais tarde, pois se sentem desconfortáveis ​​em procurar ajuda médica.

A falta de atenção a essa doença impede que as pessoas busquem exames diagnósticos. Portanto, como o vírus reage de maneira diferente em cada organismo e pode permanecer no corpo humano por vários anos sem apresentar sintomas, muitas pessoas se infectam sem saber. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, 135 mil brasileiros estão nessa situação. Portanto, esse fato contribui para a disseminação da doença na sociedade. Nesse sentido, reduzir esse número tornou-se crucial. Além disso, alguns jovens soropositivos acreditam que, apesar dos efeitos colaterais, a ideia de coexistir com o vírus é comum. Antes de mais nada, é preciso destacar que essa idealização está errada, porque não há cura para a AIDS.

Portanto, não há dúvida de que o desprezo pela AIDS é um assunto gravíssimo e, embora não haja uma solução imediata para esse impasse, é preciso tomar medidas. Para isso, o governo tem a responsabilidade de investir na conscientização, prevenção, teste e tratamento da AIDS. Para tanto, além de ampliar o escopo dos serviços, também é necessário aumentar o número de agentes de saúde que podem visitar e explicar à população os riscos dessa patologia e a necessidade de exames diagnósticos para doenças sexualmente transmissíveis após a exposição. Detecção rápida e manutenção da distribuição de medicamentos para o tratamento dessa doença para prevenir novos casos, disseminar e garantir a qualidade de vida de quem já foi infectado pelo vírus.