O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 05/10/2021
A obra cinematográfica “The Normal Heart”, aborda a história do início da crise da AIDS em Nova York, em meados dos anos 80, retratando o preconceito enfrentado por homossexuais em meio à descoberta da doença, que é causada pela infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Não distante da ficção, nos dias atuais, a discriminação sofrida por indivíduos portadores do vírus persiste na sociedade, o que só fortalece o estigma ligado a essa enfermidade. Nesse sentido, cabe analisarmos a grande dificuldade enfrentada pelos órgãos governamentais no combate ao vírus como também as consequências causadas pelo preconceito na vida dos portadores da doença tendo em vista a real necessidade de revertemos esse quadro.
É relevante abordar, primeiramente, que o preconceito é ainda o maior obstáculo no combate ao vírus, posto que a discriminação faz com que as pessoas tenham medo de procurar por informações, serviços e métodos que reduzam o risco de infecção. Consoante, ao boletim epidemiológico do Ministério da Saúde de dezembro do ano passado, de 1980 a junho de 2020, foram identificados 1.011.617 casos de aids no Brasil, o país tem registrado, anualmente, uma média de 39 mil novos casos de aids nos últimos cinco anos. Evidencia-se, portanto, que a falta de informação, o estigma e o preconceito em torno da doença, infelizmente, atrapalha no tratamento e no diagnóstico o que contribui para o aumento do número de casos.
Ademais, é válido ponderar sobre as dificuldades enfrentadas pelos cidadãos que são portadores do vírus do HIV, dentro de uma sociedade extremamente preconceituosa e desinformada. Diante disso, é notório que o preconceito é o maior mal para que vive com HIV, visto que essas pessoas sofrem com inúmeras dificuldades, como por exemplo: agressões físicas, assédio moral, exclusão social, ou até mesmo com a perca do emprego. Por outro lado, em meio a tantas dificuldades existe uma esperança de que é possível viver uma vida normal, sendo portador da enfermidade. Isso pode ser visto, no livro “Depois Daquela Viagem” que é uma autobiografia da escritora Valéria Piassa Polizzi, que, aos 16 anos, contraiu o HIV, e transmitindo na obra coragem e a sua luta, que cabaram por torná-la um símbolo de sobrevivência para os portadores do HIV.
Portanto, pode-se inferir que a discriminação e o estigma em torno do HIV deve ser desconstruido. Com o intuito de amenizar essa problemática, cabe ao Ministério da Educação promover a desconstrução dessa discriminação em torno da doença, por meio de campanhas que tragam informações acerca do vírus. A fim de,amenizar o preconceito.