O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 06/10/2021

O vírus HIV é o causador da AIDS, doença sexualmente transmissível que interfere na capacidade do organismo de combater infecções. Tal doença tornou-se muito comum na sociedade brasileira, devido a desinformação dos brasileiros a respeito do assunto e a ineficácia do poder publico, que não dá atenção necessária ao tópico.

Em primeiro lugar, é evidente que a proliferação do vírus HIV poderia ser evitada, se o sistema educacional brasileiro abordasse com eficiência o assunto. Afinal, a discussão sobre a AIDS, quando acontece, é superficial, uma vez que o currículo escolar organiza os saberes para que sejam utilizados em vestibulares, não como convivência social e coletiva. Tal desinformação fica evidente ao analisar a precariedade da discussão sobre educação sexual, uma vez que é uma doença sexualmente transmissível, visto que abordar tal assunto ainda é considerado tabu por grande parte da população. Essa afirmação constata-se verdadeira ao analisar o estudo do site “Nova Escola”, o qual afirma que menos de 20% das escolas públicas brasileiras têm educação sexual ampla e contínua no Ensino Fundamental.

Em segundo plano, é primordial destacar que a desinformação do brasileiro sobre o HIV deriva, também, da ineficácia do Poder Público, o qual tem como responsabilidade criar mecanismos que coíbam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado em razão de um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar harmonia. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato no cenário hodiemo brasileiro, uma vez que campanhas sobre a doença não ocorrem com frequência e a abordagem desse assunto é considerada esquecida, colocando assim, a vida do brasileiro em risco. Por exemplo, conforme estatísticas do site “UNAIDS Brasil”, 690 mil pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS em 2020.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para que ocorra a diminuição da proliferação do vírus HIV. Assim, cabe ao Ministério da Educação, responsável pela formação infantil à superior, por meio de uma alteração no currículo escolar, introduzir a educação sexual e tratá-la não apenas de forma superficial, demonstrando, dessa maneira, a importância do assunto e criando indivíduos conscientizados. Cabe, também, ao Congresso Nacional, por meio de mudanças na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar os investimentos referentes à disseminação das consequências da AIDS. Somente dessa maneira, será possível ter um Brasil conscientizado, e o pacto social de John Locke será efetivado.