O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 04/10/2021

De acordo com a Constituição brasileira de 1988, norma de máxima hierarquia em vigor no Brasil, todos os cidadãos tem direito à moradia, à educação e á saúde. Entretanto, lamentavelmente, o que é previsto constitucionalmente não é devidamente aplicado na vida social tendo em vista que o estigma associado ao vírus HIV faz com que os indivíduos infortunados com a aids tenham acesso limitado e precário a tratamentos de saúde, além de sofrerem preconceito por parte da sociedade civil na qual estão inseridos.Assim, pode-se dizer que o estigma associado ao vírus HIV é resultado do preconceito dos brasileiros acerca dessa questão e da ineficácia do Estado ao lidar com soropositivos.

Deve-se pontuar, a princípio, que posturas preconceituosas e intolerantes, as quais prejudicam a ordem, interação e harmonia social, por parte da população para com os soropositivos é decorrente da desinformação do corpo social acerca dessa questão que, infelizmente, resulta na exclusão de certos indivíduos. Nesse viés, cabe ressaltar a frase do filósofo e educador brasileiro, Paulo Freire, " Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda", a qual analisa que a educação, mesmo que não seja suficiente sozinha, é primordial para promoção de mudanças na sociedade.Logo, fica claro que é necessário difundir informação, conhecimento e consequentemente, educação, na sociedade para superar o preconceito que aflinge os pacientes soropositivos.

Outrossim, é imprescindível salientar o papel do Estado, cujo papel é de responsável pela saúde e bem-estar do povo brasileiro, mas que, lastimavelmente, tem falhado quando se trata do vírus do HIV posto que os que já carregam o vírus no seu organismo não tem o devido atendimento médico e não são feitas suficientes campanhas de conscientização em relação a profilaxia nem medidas concretas de combate a transmissão. Nessa perspectiva, Aristóteles, filósofo e pensador grego acreditava que todos os indivíduos buscam a felicidade e é dever da política garantir a felicidade do povo por meio de intervenções que melhorem as condições de vida do mesmo. Logo, o Estado não está agindo de acordo com a teoria política de aristotélica visto que os soropositivos são marginalizados e seu acesso à saúde é negligenciado e os serviços oferecidos para estes são escassos e precários.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para acabar com o estigma associado ao vírus HIV. Para isso, cabe ao Ministério da Educação. em parceria com governos estaduais e prefeituras, promover palestras, estudos dirigidos e atividades lúdicas acerca desse vírus, da importância do exercício da alteridade para com os soropositivos e incentivar aulas de educação sexual - uma vez que essas ações educativas têm grande poder transformador- para que os jovens não apenas respeitem quem porta esse vírus mas também saibam como prevenir dele e erradicar esse estigma.