O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 05/10/2021

Para o filósofo francês Michel Foucalt, o indivíduo é uma construção biopsicossocial, no qual as esferas biológica, social e psicológica devem estar harmonizadas para a vivência salutar. No entanto, percebe-se que no contexto brasileiro, tais diretrizes têm sido desconsideradas, tendo em vista o estado de negligência experienciado pelos portadores do vírus HIV. Esse cenário de inobservância vivenciado por tais pacientes é causado pelo estigma atrelado à doença, o qual é consequência da escassez de informações acerca do tema, gerando consequências severas, como o crescimento dos casos.

Em primeiro plano, é válido pontuar que o infímo debate acerca do HIV é a causa principal da estigmatização vigente. De acordo com o filósofo Schoppenhauer, os limites do campo de visão determinam a forma na qual o indivíduo agirá na sociedade. Nessa perspectiva, percebe-se que a obtenção ou não de informações acerca de derterminado assunto influenciam as vias de acesso ao mundo circundantes. Dessa forma, ao minimizar a divulgação e a instrução acerca do vírus causador da AIDS, converge-se para a manutenção de uma sociedade preconceituosa e que perpetua atitudes de exclusão com os portadores, tendo em vista que, dado o limitado aporte de conhecimento pela coletividade, tende-se a incoporar padrões de comportamento e papéis sociais com menor senso crítico.  Assim, constata-se a importância de intensificar a ampliação e o conhecimento dessa temática como mecanismo de reversão da estigmatização em vigência.

Em segundo plano, deve-se pontuar que as consequências do cenário atual de preconceito resultam em situações de tolhimento para os portadores do vírus, as quais podem ter graves consequências. Conforme teorizado pelo pensador E. Goffman, a noção de estigma é descrita como a marca social que causa a determinados indivíduos algum tipo de desvantagem, a exemplo de violência e desrespeito. Nesse viés, percebe-se que os acometidos pelo HIV vivenciam tais privações, tendo em vista que, diante de ataques físicos e verbais, além das exclusões veladas, que ocorrem nas relações entre famílias e amigos, tal grupo tende a se isolar, condição que afeta e dificulta o tratamento. Além disso, a escassez de apoio médico adequado, que permita a dignificação dessa parcela da sociedade,  garantindo a assistência efetiva que afirme a existência saudável, tem sido realizada de forma precária. Logo, nota-se que o tolhimento de amparo humanizado põe em risco a vida de milhares de indivíduos afetados por esse problema.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, por meio da campanha “Soropositivo Também é Digno”, divulgar comerciais com profissionais de saúde e com portadores tratados, debatendo em emissoras públicas, buscando desmistificar as ideias circulantes sobre o HIV e promovendo a vivência digna.