O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 17/10/2021
“Uma das características da cultura é tornar normal o que não é”. A afirmação do historiador Leandro Karnal simboliza claramente os estigmas associados aos portadores do vírus HIV no Brasil, já que é justamente a naturalização das discriminações contra as pessoas com HIV que é a questão que potencializa essa problemática no corpo social brasileiro. Nesse sentido, essa vicissitude tem origem inegável no distanciamento interpessoal. Sendo assim, entre os fatores que contribuem para essa conjuntura, destaca-se a ausência informacional e a banalização de condutas preconceituosas.
A priori, deve-se pontuar que há uma falha informacional do ensino público com relação ao vírus HIV na coletividade. Ademais, isso catalisa o desconhecimento populacional a respeito dessa doença sexualmente transmissível, assim causando impactos hediondos na nação tupiniquim, pois abrem margem a discursos discriminatórios no imaginário coletivo. Segundo o ex-ministro Benjamin Disraeli, “a ignorância nunca resolve uma questão”. A reflexão do britânico Disraeli evidencia esse cenário, uma vez que a ausência informacional relacionado ao vírus HIV estimula diversos estigmas e discursos de ódio contra os portadores desse vírus. Dessa forma, urge a necessidade das escolas reverter esse contexto fornecendo aulas específicas sobre o HIV e a Aids para instruir os seus alunos.
Além disso, o corpo social banalizou ações discriminatórias contra a população soropositivo. Isso acontece devido à naturalização de falácias envolvendo o vírus HIV, que não só estimulam diversos estigmas com relação ao tema, como também potencializam o desconhecimento populacional a respeito do vírus. Desse modo, evidenciando o acerto feito pelo historiador Leandro Karnal, uma vez que essa naturalização contribui grandemente para a banalização de condutas preconceituosas na sociedade, como foi na década de 1980, na qual diversos discursos de ódio pediam a segregação forçada de pessoas soropositivo, devido às falsas informações relacionadas à Aids e também por causa de preconceitos ainda permeiam no imaginário coletivo.
Fica evidente, portanto, que o distanciamento interpessoal gera o estigma relacionado ao vírus HIV no Brasil. Logo, para combater esse empecilho, tornar-se necessário que o Governo Federal atue, por meio do Ministério da Educação, para institucionalizar o Plano Nacional da Conscientização do Vírus HIV, na qual será responsável por implementar palestras elucidativas nas escolas públicas com médicos especializados na área de doenças autoimunes para conscientizarem os estudantes dos sintomas e prevenção. Ademais, as palestras contarão com a presença de pessoas soropositivo, que relatarão a convivência e os preconceitos devido ao vírus HIV. Dessa forma, o corpo social reverterá um enorme estigma habitualizado, como havia refletido o Karnal.