O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 06/10/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 6º, o direito à saúde para todo brasileiro. Entretanto, na prática, essa garantia encontra-se comprometida para a população soropositiva no Brasil, visto que existe, na sociedade, um estigma associado ao HIV (vírus da imunodeficiência humana, em inglês). Desse modo, convém a análise das causas, consequências e possíveis soluções  para esse triste cenário nacional.

Inicialmente, cabe destacar que a principal causa responsável pela manutenção do estigma relacionado ao HIV no Brasil é a desinformação. Desse modo, percebe-se que, por ser considerado socialmente como um tabu, existe pouca discussão sobre o tema na sociedade. Com isso, muita desinformação sobre as formas de transmissão é, infelizmente, espalhada, o que cria, entre a população, um conjunto de preconceitos nocivos sobre o HIV e os soropositivos.

Desse modo, como consequências da manutenção desse estigma associado ao HIV, têm-se a baixa procura pelo diagnóstico precoce e a resistência em se aderir ao tratamento e continuá-lo. Assim, muitas pessoas, com receio do julgamento social, não realizam os testes disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, nem todos aderem ou continuam com o tratamento, o que colabora para a progressão da infecção ao estágio da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), fase de manifestação dos sintomas da infecção pelo HIV.

Portanto, percebe-se que o estigma associado ao HIV na sociedade brasileira tem como sua origem a desinformação e compromete a saúde dos soropositivos, o que viola o Artigo 6º da Constituição de 1988. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, através de campanhas de conscientização, combater o estigma associado ao HIV na sociedade brasileira, através da discussão, em canais de comunicação e redes sociais, das formas de transmissão e tratamento da infecção, de modo a diminuir a desinformação e quebrar o tabu relacionado à SIDA no Brasil.