O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 07/10/2021
Em meados do século XV, com a chegada dos portugueses ao Brasil, houve não somente a mesclagem entre as culturas, mas a disseminação de doenças sem precedentes que acometeram os indígenas, como o vírus da Imunodeficiência Humana, o HIV. Hodiernamente, apesar dos avanços dos farmácos e dos tratamentos, muitas pessoas sofrem, seja pelo diagnóstico tardio, seja pelo estigma associado à virose.
Em primeira análise, vale ressaltar que trata-se de uma DST (Doença Sexualmente Transmissível), isto é, adquire-se, por meio de relação sexual. Todavia, apesar das diversas campanhas que visam reduzir os casos de DSTs, bem como as distribuições de preservativos nos postos de saúde e estações de trem, observa-se o aumento de pessoas que contraíram a patologia. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), em 2019, foram diagnosticados 41.919 novos casos de HIV e 37.308 de AIDS. Tal cenário, demonstra que grande parte dessas pessoas descobrem a doença num estágio crônico, o que dificuldade e torna o tratamento mais intenso, tendo em vista a elevada carga viral. Logo, verifica-se a necessidade das pessoas se protegerem e procurarem ajuda especializada.
Ademais, o estigma relacionado ao HIV traz inúmeros prejuízos físicos e psicológicos aos soropositivos, visto que o primeiro está associado à indisposição para os exercícios físicos, que os torna mais vuneráveis, enquanto que a segundo está ligado à ideia de incapacidade, dita por amigos e familiares preconceituosos. Nesse contexto, tal repulsa social induz ao paciente a refletir sobre a suposta indiferença da própria vida, o que desencadeia a desistência dos tratamentos. De acordo com a pesquisa pernambucana, Brasil de Fato, 64% das pessoas que vivem com o HIV já sofreram discriminação. Portanto, nota-se a importância do apoio da população na recuperação dessas pessoas num momento tão delicado e díficil.
Evidencia-se, destarte, que o estigma vinculado ao HIV é uma mazela social e, também, deve ser tratada. Para tal, primeiramente, a população deverá conscientizar-se sobre o indispensável uso do preservativo, a fim de reduzir os números de diagnósticos de DSTs, por meio de relações somente com o uso da camisinha. Além disso, exames médicos periódicos são necessários para evitar o ‘avanço silencioso’ do vírus. Outrossim, a sociedade, bem como a família possuem um papel fundamental no restabelecimento da saúde dos soropositivos e, por isso, devem sempre procurar se informar acerca da patologia, pois a desinformação é condição para o preconceito. Assim, ações como essas, certamente, ajudarão a atenuar a discriminação sobre o tema no Brasil.