O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 07/10/2021

Na série Elite, produzida pelo serviço de “streaming” Netflix, a personagem Marina - soropositiva para o HIV - e sua família tentam esconder sua condição a todo custo, com medo do preconceito que a adolescente poderia sofrer. Fora das telas, o estigma associado ao vírus HIV também é um problema a ser enfrentado na sociedade brasileira, que fomentado pela falta de informações, prejudica a qualidade de vida dos infectados.

A princípio, destaca-se a afirmação do filósofo francês Voltaire que “preconceito é opinião sem conhecimento”. Do mesmo modo, deve-se analisar que campanhas de prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) - como a AIDS, causada pelo vírus HIV - só ganham destaque em certas épocas do ano, como Dezembro Vermelho. Ademais, aulas sobre educação sexual, que promoveriam um conhecimento integral, são consideradas tabu e evitadas através de discursos moralistas. Logo, qualquer forma de informação sobre o HIV, infelizmente, é isolada ou impossibilitada na sociedade brasileira, contribuindo com a intolerância associada aos seus portadores.

Outrossim, observa-se que o desafio do estigma também dita as atitudes dos infectados e sua qualidade de vida. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2019 no Brasil, 10.565 óbitos por contaminação de HIV foram detectados. Nesse contexto, destaca-se que apesar de existir tecnologia mais do que necessária para evitar tais mortes, elas continuam ocorrendo. Nesse sentido, tal fato se explica através do estigma das pessoas em volta do infectado, mas principalmente dele mesmo, que evita fazer testes e só descobre a infecção quando muito evoluída, ou nega o tratamento por medo de julgamento. Logo, nota-se que mesmo com a possibilidade de uma vida normal proporcionada pelo tratamento contra HIV, muitas pessoas ainda são prejudicadas pelas barreiras impostas pelo preconceito que as cerca.

Destarte, infere-se que o estigma associado ao HIV é um desafio a ser combatido. Por isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, promover uma maior aprendizagem sobre as ISTs nas escolas e redes sociais. Nesse cenário, devem ser feitos posts e palestras que visem instruir a população sobre a prevenção de ISTs, o tratamento e como acolher pessoas portoras de tais infecções. Desse modo, possibilitando o combate à falta de informação da população sobre o vírus HIV e a redução do problema do estigma do qual a personagem fictícia Marina e tantos outros reais portadores do vírus  tem medo.