O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 07/10/2021
Durante a década de 1980 houve uma grande histeria na sociedade brasileira após a descoberta de uma nova doença, a AIDS, causada pelo vírus HIV. Nessa época também foi demonstrado outro tipo de doença, o preconceito. As pessoas denominadas “soropositivas” enfrentam diversas problemáticas que vão além da doença, esta pode ser controlada, o ódio alheio, não. Nesse contexto, o preconceito afeta a vida em sociedade e o tratamento daqueles que carregam o vírus HIV.
Primeiramente, o estigma que a doença carrega é causado pelo preconceito da sociedade brasileira. De acordo com a Comissão Nacional da Verdade, criada para esclarecer os crimes cometidos durante a Ditadura Militar, houve a “caça aos homossexuais”, um triste acontecimento onde muitas pessoas foram assassinadas. O mito da “doença gay” foi extremamente propagado nessa época e as pessoas utilizavam o discurso que todos os não héteros estavam doentes, ou seja, era necessária uma limpeza. Infelizmente, esse pensamento segue na sociedade atual, por mais que a violência não seja física, hoje ela é social e psicológica, isolando as pessoas com essa patologia da sociedade por medo e vergonha. Posto isso, fica claro que falta conscientização para que a população entenda verdadeiramente o que é a AIDS e o vírus HIV, já que sem esse entendimento o preconceito se aflora.
Ademais, a vergonha de assumir que possui o vírus HIV afeta, também, o possível tratamento. Conforme o médico Dráuzio Varella, o Brasil tem um excelente programa de tratamento à AIDS graças ao SUS (Sistema Único de Saúde). Atualmente o tratamento é gratuito, desde a testagem até os remédios indicados para inibir o vírus. Entretanto, o gerente do Programa IST/AIDS da Secretaria de Estado da Saúde, Almir Santana, percebeu, durante os anos de trabalho, que muitos desistem do tratamento por muitos motivos, não conseguir assumir que são soropositivos para a família e amigos, que os tratam de forma diferente. Assim, o preconceito se mostra ainda mais danoso, afetando a saúde física por desistirem do tratamento e também psicológica do paciente.
Portante, a sociedade brasileira demonstra muitos estigmas relacionados ao HIV sendo que tais preconceitos são extremamente prejudiciais. Para mudar esse cenário, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, devem conscientizar a população sobre o que é verdadeiramente o HIV e a AIDS. Tal ação pode ser realizada através de distribuição de panfletos em postos de saúde, debates na escola e palestras em locais públicos, a fim de coibir o preconceito por falta de informação. Tal ação pode, também, enquadrar as ofensas sofridas pelos portadores de HIV no crime de injúria e difamação, promovendo a prisão ou multa daqueles que insistem em causar danos. Assim, a sociedade brasileira poderá conviver normalmente com todos os cidadães.