O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 08/10/2021

Em 1983 foi identificado o retrovírus humano, o HIV. Embora não se sabe ao certo a origem desse vírus ele foi impactante de forma negativa na vida de inúmeras pessoas causando desprezo, miséria e até ao suícidio. Sendo assim, o que mata lentamente é o fardo de conviver com o preconceito e sem o devido amparo, ou seja, a pessoa de soro positivo torna-se inferior.

Mormente, vê-se na sociedade, em sua maioria religiosa, a ausência de conhecimento quando se trata de assuntos sobre DST’s gerando, assim, desprezo e um pré-julgamento semelhante a passagem bíblica de Jó em que foi contaminado pela lepra(doença transmissível e sem cura na época) e por isso esse personagem bíblico sofreu diversos preconceitos e foi submetido ao afastamento da sociedade. Dessa forma, o indivíduo contaminado pela Aids e que tem uma crença, em alguns casos desistiu até mesmo de suas idas ao cultos e aos eventos religiosos pelo fato de se envergonhar de seu problema.

Além disso, um dos fatores do preconceito sobre o HIV ter aumentado é por não haver conhecimento sobre o assunto em tempos atrás, elevando os casos de transmissão. Isso foi, sem dúvida, consequências da falta de educação sexual em casa e em escolas, ignorando assuntos de suma importância para a sociedade. Diante disso, a prevenção sexual foi ignorada espalhando o vírus em todo o mundo, chegando até nos famosos como foi o caso do cantor cazuza vítima dessa doença, tornando-se mais um motivo de gerar preconceito.

Em contrapartida, existe, também, a falta de políticas públicas nas unidades básicas de saúde uma vez que as pessoas contaminadas pelo vírus relatam não haver sigilo. Nessa perspectiva, numa entrevista realizada para o Movimento de Luta contra a Aids, os resultados apontam que 15,3% dos entrevistados afirmam ter sofrido discriminação por parte dos profissionais de saúde e em alguns casos revelando as outras pessoas sobre resultados de exames. Além disso, a ausência de médicos e psicólogos para ajudar na saúde mental de quem faz o tratamento contra o HIV. Com essa situação, o dezembro vermelho deve ter a mesma influência do outubro rosa, pois, muitos não sabem sobre.

Em suma, o estigma associado ao vírus urge de soluções cabíveis. Faz-se necessário, portanto, que palestras educativas sobre DST’s sejam realizadas em instituições religiosas afim de diminuir o preconceito e informatizar sobre a prevenção. Além disso, é importante que as pessoas que convivem com o vírus a algum tempo participem dessas palestras contando suas experiências e dificuldades vivenciadas e, também, é necessário que os profissionais de sáude acompanhe a vida e a saúde mental de quem está em tratamento contra o vírus. Com essas medidas, surtirá um efeito positivo na sociedade brasileira.