O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 08/10/2021

Durante a década de 1980, os brasileiros presenciaram a efervecência de debates relacionados à AIDS, sobretudo pelo fato de essa doença ter atingido famosos, como Renato Russo e Cazuza, os quais foram alvo do preconceito social relacionado à transmissão do vírus  HIV. Atualmente, apesar de os avanços científico terem desmistificado muitas notícias falsas em torno da doença, os soropositivos ainda são discriminados no Brasil, o que se deve a questões não apenas sociais, que envolvem preconceitos diversos de uma nação patriarcal, mas também informacionais, devido ao reduzido senso crítico da população. Para que esse problema não perdure, atitudes devem ser tomadas.

Nesse sentido, um primeiro aspecto responsável pela poblemática consiste nos preconceitos patriacrais relacionados à AIDS. Pelo fato de o vírus HIV ser transmitido, entre outros meios, através do ato sexual, sobretudo pelas formas não típicas de sexo, como o sexo anal, pacientes soropositivos são, erroneamente, ligados à promiscuosidade e à homossexualidade. Por conseguinte, essas pessoas são discriminadas por uma sociedade que, por ser caucada nos padrões patriarcais de família - os quais, de acordo com a sociologia, valorizam a monogamia e a heteroafetividade - , recrimina os estilos de vida distintos do tradicional, bem como as pessoas que ela julga seguí-los.

Ademais, vale ressaltar que a desinformação acerca dessa doença corrobora a continuidade do problema. Isso se deve ao fato de muitos brasileiros, devido à pouca escolaridade, não terem desenvolvido suficientemente um senso crítico que os permita refutar informações falaciosas relacionadas à AIDS, principalmente no que tange à sua transmissão. Essa afirmativa se constata com a aceitação, pelo senso comum, de quea  infecção pelo vírus HIV se dá através das vias respiratórias, como o vírus da gripe. Dessa forma, os soropositivos são, muitas vezes, isolados por essas pessoas, o que configura um quadro de Violência Simbólica, a qual, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, consiste na violência socialmente aceita que, por esse motivo, tende a perdurar, o que dificulta a socialização e reduz as oportunidades de ascenção social dos portadores do vírus HIV.

Faz-se necessária, pois, com o intuito de atenuar esse quadro, a ação do Estado, por intermédio do Ministério dos Diteitos Humanos. Esse órgão deve mitigar o preconceito social contra os portadores de AIDS, por meio da divulgação de canais de denúncia, por exemplo, nas redes abertas de televisão, a fim de que esse grupo seja devidamente respeitado. Além disso, o Ministério da Educação deve desmentir as notícias falsas relacionadas a essa síndrome, mediante discussão do assunto nas escolas públicas e privadas, para que, ao aumentar o senso crítico da população, os soropositivos não mais sejam discriminados e isolados como no passado.