O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 14/10/2021
Ao afirmar em sua celebre canção “O tempo não para”, o compositor Cazuza (artista que faleceu decorrente da AIDS), relaciona o passado com o presente. Dessa maneira, ele não estava errado, visto que, o estigma associado aos indivíduos portadores de HIV, ainda, é um problema no Brasil. Com isso, sabe-se que HIV é um vírus que causa a doença AIDS (Síndrome da Imunodeficiência), esta ataca as células do sistema imunológico. Como resultado, o cidadão infectado fica mais suscetível a doenças, ou seja, um simples resfriado pode levar ao falecimento. Assim, é necessário combater o preconceito contra soropositivos e conscientizar a população, a fim de acabar com o senso comum sobre o tema.
Sob essa perspectiva, é notório como cidadãos infectados são marginalizados em todos os âmbitos de suas vidas. Desse jeito, a população julga-os como incapazes, “sujos” e o senso comum construí a ideia que indivíduos que possuem contato com portadores do vírus, também passam a serem infectados. Nessa óptica, de acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil, o estigma associado aos soropositivos é considerado crime, estes apresentam o direito de ir e vir sem serem vetados por possuírem HIV. Nesse sentido, o indivíduo portador do vírus tem o direito pautado na lei de viver uma vida normal, com dignidade, sem serem desprezados e resumidos apenas a doença.
Outrossim, é evidente que o tabu ao redor da conversa sobre relações sexuais causa impacto negativo, principalmente, em jovens que iniciam a vida sexual sem informações necessárias, como sobre segurança contra IST’s (infecções sexualmente transmissíveis). Dessa forma, segundo uma pesquisa da UNAIDS (Programa conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS) semanalmente há 5 mil casos de mulheres entre 15 e 24 anos infectadas com HIV no mundo, sendo a maior parte adquirida por relações sexuais sem preservativos. Portanto, sem conhecimento amplo para todos e maior número de infectados, fica impossível atenuar a ação do vírus e o preconceito, ou seja, a ignorância de não debater o tema gera mais estigmas e mais casos de HIV e AIDS, se tornando um ciclo vicioso.
Indispensável, portando, a criação de medidas interventivas que diminuam o preconceito e leve informação sobre indivíduos soropositivos. Para isso, é mister que o Governo, juntamente com o Ministério da Saúde crie campanhas online voltadas para o esclarecimento dos métodos de contágio e formas de tratamentos, com o propósito de acabar com o senso comum e instruir a população para evitar novas infecções. Ademais, deve estimular a divulgação do projeto dezembro vermelho, mês da campanha nacional de prevenção ao HIV/AIDS e outras IST’s promovendo palestras educativas, principalmente, aos jovens. Também, deve incentivar a criação de grupos de apoio aos soropositivos. Isto posto, a sociedade não terá estigmas sobre HIV e se tornará um local mais harmonioso para todos.