O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/11/2021
A constituição de 1988 assegura aos cidadãos os recursos capazes de promover o bem-estar social. Contudo, na prática, não há a efetivação de tais garantias, haja vista o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira, o que fere o princípio de isônomia entre os civis. Nesse aspecto, convém analisar a atuação governamental e da esfera social, visando compreender a fonte geradora dessa problemática e mitigar os entraves para a consolidação das premissas constitucionais.
A princípio, vale destacar o papel do governo como agente perpetuador do estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira. Diante disso, o filósofo John Locke afirma em seus postulados acerca do contratualismo que o contrato social é o momento em que o homem revoga seu “Estado de Natureza”, a fim de ser governado por líderes políticos justos. Todavia, esse ato simbólico é quebrado diariamente, uma vez que o Estado age de maneira negligente no combate às diversas formas de preconceito, o que enfraquece a coesão civil, além de marginalizar os portadores do vírus causador da aids. Dessa forma, os indivíduos imunossuprimidos encontram diversas barreiras na comunidade, que são impulsionadas pela atuação de um governo inoperante, tal como aponta um levantamento realizado pela revista Radis, em que civis acometidos com o HIV têm maiores dificuldades em desenvolver uma relação afetiva.
Ademais, a esfera social também atua como agente que favorece a perpetuação dos estigamas associados ao HIV na sociedade brasileira. Nesse viés, segundo a escritora Hannan Arendt, a sociedade atual é incapaz de realizar julgamentos morais, uma vez que o sentimento de “Banalização do Mal” favorece a formação de indivíduos que normalizam situações desumanas, tendo em vista sua recorrência. Dessa maneira, a comunidade tende a segregar os indivíduos portadores do vírus da aids, haja vista que os estigmas associados à esta condição repercutem a idéia de que essas pessoas configuram algum rísco de saúde para o restante da população. Assim, uma sociedade oprimida pode ser responsável pela manutenção dos preconceitos que geram os conflitos urbanos.
Portanto, diante dos fatos supracitados, torna-se evidente a necessidade de medidas com fito em atenuar os estigmas associados ao vírus HIV na sociedade brasileira. Então, compete ao governo federal garantir a inclusão dos civis, sem qualquer distinção, em todas as esferas sociáveis. Tal medida deverá ser realizada mediante campanhas educativas, que deverão favorecer o conhecimento adequado acerca das IST’s, maneiras de prevenção, além de combater as informações ultrapassadas, para que dessa forma, os preconceitos associados ao vírus causador da aids seja superado, garantindo, assim, uma sociedade coesa, tal como proposto pela constituição de 1988.