O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 12/10/2021

Zygmunt Bauman defende que “não são as crises que mudam o mundo, e sim nossas reações a elas”. Entretanto, não se pode verificar uma reação de intervenção no que se tange aos estigmas relacionados ao HIV, que acabam levando as pessoas que convivem com o vírus á exclusão social e ao assédio moral. Nesse contexto, deve-se traçar estratégias que atuem nas causas do problema: como a lacuna educacional e a mentalidade social.

Sob esse prisma, sabe-se que a carência de educação sexual nas escolas corrobora com o tabu que envolve o HIV. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele, ou seja, é imprescindível que a escola trabalhe para que o aluno tenha todas as informações necessárias sobre doenças sexualmente transmissíveis. Nesse sentido, é correto afirmar que a desinformação é muito perigosa, pois além de expor o jovem a doenças que podem ser prevenidas, também pode fazer com que o portador da doença não faça o tratamento adequado por vergonha de seu estado.

Paralelamente, nos dias hodiernos as pessoas tratam de forma diferente o portador do HIV, como se ele fosse irresponsável ou até mesmo perigoso para a saúde pública. Segundo a Declaração Universal dos direitos Humanos – promulgada em 1948- todos os indivíduos têm direito ao bem-estar social. Tendo em vista essa legislação, é correto afirmar que a realidade não condiz com a lei, pois ideais retrógrados sobre a doença podem causar muitos danos ao portador, já que a pessoa que carrega o preconceito pode agir como agente de exclusão social, podendo fazer com que a população soro positivo seja marginalizada por sofrer com os deslustres da sua doença.

Portanto, é indubitável a importância do combate aos estigmas associados ao HIV. Para isso, o Ministério da Saúde, deve criar um projeto que descontrua o tabu que envolve o portador do HIV, de modo que as escolas recebam profissionais da saúde dispostos a tirar as dúvidas dos jovens e levantar um debate sobre os preconceitos que a pessoa soro positivo sofre, além disso o SUS deve promover propagandas em rede nacional que desmistifique a doença. Fazendo assim, as duas ações terão como resultado a disseminação de informações corretas sobre o HIV, fazendo com que se descontrua os estigmas associados a doença. Com isso, será possível intervir de forma que haja uma melhora na vida das pessoas que convivem com o vírus, como defende Bauman.