O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 17/11/2021
O auge das vítimas do HIV e da AIDS foram nos anos de 1980/1990, quando havia pouco conhecimento científico sobre essa infecção, até mesmo não havia testagem ainda. Contudo, mesmo após todo desenvolvimento tecnológico para o controle dessa infecção, o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira ainda perdura.
Dessa forma, o Poder Público é muito omisso no que tange à desinformação a respeito de pessoas soropositivas, somente em maio de 2020 o STF revogou uma proibição preconceituosa envolvendo a doação de sangue por homossexuais, a qual já não fazia mais sentido devido ao conhecimento de como o vírus é contraído e à segurança das testagens que há nos hemocentros. Além de que, é perpetuado o desconhecimento de que, apenas homens gays, podem ser infectados e não qualquer pessoa, independentemente de orientação sexual, que tiver relações sexuais desprotegidas.
Nesse sentido, o HIV é classificado pela OMS como uma infecção crônica manuseável, assim como a diabetes e a hipertensão. Apesar disso, pessoas soropositivas são diariamente alvos de estigmas e/ou discriminação, até mesmo por parte de profissionais da área da saúde que não oferecem o devido atendimento e acolhimento a pacientes diagnosticados, que muitas vezes estão emocionalmente fragilizados pelo tabu acerca desse vírus, e não aderem ou continuam com o tratamento.
Portanto, é imprescindível que o Conar em conjunto com o Ministério da Saúde determine cotas percentuais de propagandas, de cenas em novelas, de cartazes, para as mais variadas mídias como as de televisão, de rádio, que contenham informações que desmitifiquem estigmas e inverdades a respeito do vírus HIV a fim de diminuir o preconceito que, muitas vezes, é gerado pela desinformação. Além disso, o Ministério da Saúde deve determinar que hospitais, postos de saúde e todas as instituições em que haja atendimento a pacientes soropositivos, profira palestras obrigatórias aos profissionais da saúde a fim de oferecer as pessoas portadoras desse vírus acolhimento e atendimento humanizado. Só assim, haverá avanço no enfrentamento desse estigma e preconceito.