O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 12/10/2021

O filme “Cazuza - O Tempo Não Para” retrata a vida de um dos maiores cantores brasileiros e sua luta, após a contração do vírus HIV (Vírus da Imunideficiência Humana), para sobreviver. Na trama, o jovem morre em decorrências das complicações da doença e alerta para a gravidade do problema. No entanto, nas últimas décadas, o desenvolvimento de medicamentos antirretrovirais, garantiu, aos portadores do vírus, a redução da infecção e da transmissão. Entrentanto, o estigma social associado à virose ainda é latente na sociedade, em virtude do histórico-cultural atrelado à falta de informações.

Nesse sentido, é importante ressaltar, em primeiro lugar, que o histórico de medo criado acerca do vírus impede a superação da estigmatização na sociedade. Sob esse viés, o sociólogo Anthony Giddens, em sua teoria, disserta sobre como os eventos adversos a vida humana podem acarretar em traumas indivudais e coletivos. Nessa perspectiva, o aparecimento da doença e o medo criado, sobretudo pela mídia, com a contaminação e a propagação do patógeno, geraram um ambiente de traumatização coletivo, que perdura até os dias atuais. Em decorrência desse processo, segundo dados de uma pesquisa divulgados pelo jornal “El País”, mostram que mais de 80% dos entrevistados não se relacionaram sexualmente, mesmo protegidos, com os portadores do microorganismo.

Ademais, outro fator que corrobora essa marginalização dos indivíduos com HIV positivo é a ausência de informações sobre o tema. Sobre esse ponto, Schopenhauer, em seus estudos, afirma que o campo de visão de um indivíduo determina seu entendimento sobre o mundo. No entanto, no que tange à temática, a falta de políticas públicas, que informem a população sobre a não transmissibilidade de indivíduos em tratamentos, bem como da eficácia do uso de camisinha, impedem o entendimento sobre a patologia e perpetuam o estigma sobre a doença. Como consequência disso, o quadro “Profissão Repórter”, em matéria sobre o tema, apontou que a depressão e os casos de suicídios em portadores do HIV tem intrínseca ligação com o preconceito da sociedade.

Fica claro, portanto, que o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira é resultado do temor historicamente criado somado à falta de conhecimento sobre a doença. Urge, logo, que o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com a mídia, crie campanhas de conscientização acerca da doença. Tais campanhas devem contar com a entrevista com portadores do vírus em tratamento, evidenciando que os medicamentos atuais garantem, não somente uma melhor qualidade de vida aos usuários, mas também a instransmissibilidade do vírus para os demais. Outrossim, conteúdos digitais e explicativos sobre as maneiras de prevenção, como camisinha e a Profilaxia Pré-Exposição (Prep) e Pós Exposição (PeP), devem ser produzidos para que a população diminua a estigmatização do vírus.