O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 13/10/2021
É inegável que o avanço da medicina proporcionou que a escalada do HIV atingisse patamares ainda piores. Por um lado, a inovação em diversos medicamentes trouxe uma melhor qualidade de vida para os portadores do vírus, que hoje conseguem levar uma vida normal desde que sigam a risca o tratamento. Por outro lado, o que ainda impera na sociedade vigente é o preconceito contra as pessoas soropositivas, atitude que faz, muitas vezes, o indivíduo afetado não buscar o tratamento por receio de ser excluído. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de mitigar o estigma que a sociedade brasileira tem ao vírus HIV, fazendo com que mais pessoas venham a se informar melhor sobre o tema e que os portadores sejam tratados com dignidade.
Em primeira análise, vale ressaltar que o grande desafio para frear o avanço do HIV na sociedade está no preconceito associado aos portadores do vírus, que são vistos como pessoas socialmente degeneradas socialmente e com hábitos tóxicos que os levaram a tal condição. Posto isso, nota-se o quão retrógrado é esse pensamento coletivo, visto que a doença pode atingir indivíduos dos mais variados estratos sociais, como o cantor Cazuza, morto em 1990 por consequências da AIDS. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa realidade, que atinge cerca de 920 mil brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde.
Ademais, o fato de a medicina ter avançado e proporcionado remédios mais eficientes para tratar a patologia, ainda é preciso atuar de modo mais efetivo no caráter informativo sobre a doença, tanto nas formas de prevenção, como nas formas de terapia. Por conta disso, campanhas como Dezembro Vermelho são essenciais para alertar a sociedade e a trazer a tona um tema ainda visto como tabu. Nesse sentido, vale dizer que o filósofo iluminista francês Voltaire tinha razão ao falar que “preconceito é opinião sem conhecimento”.
Com isso, observa-se que uma ação informativa faz-se necessária. Assim, cabe ao Estado, através do Ministério da Saúde, juntamente com os grandes veículos de mídia, criar campanhas informativas e educacionais, a fim de mostrar a sociedade brasileira o que é o HIV e as formas de prevenção e tratamento. Além de estimular o suporte psicológico e afetivo, visto que os medicamentos atuais são extremamente eficazes, mas o julgamento social ainda é o pior efeito da vírus. Só assim o cambate ao estigma que tanto faz mal para aqueles que já sofrem com a soropositividade poderá ser eliminado da sociedade brasileira.