O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 14/10/2021

O poeta pós modernista Manoel de Barros destacou em suas obras o conceito de “teologia do traste”, princípio caracterizado por dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo esse ideal barrosiano, torna-se claro a necessidade de se analisar mais profundamente as doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a AIDS, no Brasil, uma vez que essas são bastante estigmatizadas pela sociedade. Dessa forma, a fim de amenizar os males relacionados com esse preconceito, é necessário analisar a falta de informação e ineficiência estatal.

Em primeira vista, é necessário ressaltar os fatores que são responsáveis pela estruturação da problemática. Dentre essas, destaca-se a insuficiente quantidade de informações contundentes e verdadeiras em relação ao vírus HIV, as quais, muitas vezes são tratadas com descuido e desrespeito. Essa falta de informação é grave, tendo em vista que muitos brasileiros desconhecerão a realidade destas pessoas doentes, podendo levar ao comprometimento do tratamento adequado. De acordo com o filósofo suíço Rousseau “o homem nasce livre, não obstante, é acorrentado em todas as partes”, ou seja, no que se refere à parte da população com AIDS, esta que poderia ter uma vida completamente normal e social, mas é acorrentada por uma sociedade preconceituosa que a trata como membros secundários, impossibilitando sua completa ingressão na comunidade.

Em segundo plano, é importante destacar a forma precária como o Estado normalmente enfrenta as doenças sexualmente transmissíveis no Brasil. Isso ocorre porque, de acordo com Gilberto Dimenstein, em seu livro “O Cidadão de Papel”, o governo brasileiro é ineficaz apesar de sua legislação ser completa em teoria, na prática, ela não é capaz de garantir os direitos a todos. Fato evidenciado pela falta de providências estatais voltadas para o artigo 6 da Constituição brasileira, que dentre outros, deveria defender o direito à saúde. Isso é demonstrado na pequena campanha de conscientização da população acerca desta problemática e pelo baixo número de lugares que providenciam ajuda e tratamento para esses tipos de doenças. Sendo assim, é possível perceber que nem o governo obteve sucesso no combate ao estigma relacionado com esse tipo de infecção.

Portanto, para amenizar a exclusão comunitária das pessoas com AIDS, é necessário que o governo, mais especificamente o Ministério da Educação, eduque e conscientize as crianças acerca dessa doença, por meio da implementação de aulas sobre saúde sexual. Nesse sentido, será possível diminuir o preconceito enraizado na sociedade, uma vez que os alunos estarão mais preparados para conviver com a parte da população portadora do vírus HIV.