O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 14/10/2021
Nos anos 80, a cidade do Rio de Janeiro foi palco do maior festival de música do mundo: Rock in Rio. No entanto, junto dos milhares de fãs e da música outro evento tomava proporções descomunais: a epidemia do HIV. Dessa forma, se iniciava na sociedade tupiniquim os estigmas frente a, então, desconhecida doença, que, tristemente, silencia, até hoje, milhões de brasileiros. Isso se deve ao preconceito histórico contra minorias atrelado a falta de representatividade social.
Em primeiro lugar, é importante atentar-se às bases da formação do senso comum nacional. Diante disso, tem-se o seguinte: a homofobia enraizada no corpo social atual, tem sua origem fundamentada no machismo proveniente do patriacarlismo herdado do período colonial. Nesse sentido, é pertinente à discussão destacar que o preconceito contra LGBTS, em especial, em muito contribui para a crença de que a AIDS é uma doença exclusiva das minorias, e faz com que esse coletivo seja estigmatizado e generalizado. Para além disso, o tabu ante à discussão do HIV, permite que muitos indivíduos não procurem assistência médica quando em risco de contágio, por associarem, erroneamente, os fatos acima supracitados.
Em segundo lugar, outro pilar dessa problemática deve-se à lacuna de visibilidade de coletivos de portadores da AIDS no contexto nacional. Diante disso, explicita-se que: a falta de representatividade em mídias, documentários ou qualquer meio capaz de expressar as demandas dessa minoria, fortalece o sentimento de exclusão social e contribui para o aumento das desigualdades, como dificuldades no acesso pleno aos direitos humanos previstos no Artigo 6 da Constituição Federal. Nesse âmbito, traça-se um paralelo à máxima do filósofo Umberto Eco: ‘‘Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável’’, ou seja, esse óbice precisa ser mitigado, urgentemente.
Visto isso, por fim, é necessário que o Ministério da Saúde em parceria com as Secretarias do órgão em cada Estado, promovam nas instituições de ensino, debates acerca dos estigmas associados ao HIV. Para isso, devem ser ministradas discussões com profissionais da saúde, que envolvam obras literárias, documentários e filmes acerca do tema. Além disso, devem ocorrer lives nas redes sociais, para que se atinja um público maior. Isso deve ser feito com a finalidade de conscientizar a sociedade, responsabilizar o Poder Público e amenizar a exclusão social vivenciada pelo silenciamento dessa pauta na atualidade. Somente assim, será possível minimizar os estigmas frente a AIDS no Brasil.