O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 25/10/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 6°, que a educação é um direito universal. Entretanto, atualmente, observa-se que há um estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira, não só pela falta de democratização do conhecimento cintífico sobre a infecção sexualmente transmissível (IST), mas também pela marginalização histórica atribuída as pessoas infectadas. Assim, tal direito previsto em lei é, na verdade, uma regalia para muitos cidadãos, o que é inadmissível. Diante dessa perspectiva, torna-se necessária uma análise dos agravantes desse quadro.

Primeiramente, nota-se um déficit de medidas governamentais frente a homogeneidade do conhecimento necessário sobre o vírus HIV e sua possível doença (aids). Segundo o filósofo Jhon Locke, o Estado tem como dever proporcionar direitos naturais para a civilização, como a educação sexual associada à saúde. Todavia, observa-se  uma falha nessa distribuição quando uma parcela da sociedade associa preconceitos ao caráter de uma pessoa, a partir de suposições atreladas ao HIV, como verdade absoluta, mas sem embasamento científico. Sob esse véu, uma pesquisa realizada pela plataforma de notícias “G1”, apresentou que 7 em cada 10 pessoas veem o indivíduo soropositivo (portador do vírus HIV) como promíscuo e irresponsável sexualmente. Faz-se premente, pois, campanhas educacionais que esclareçam os mitos atribuídos ao vírus,

Ademais, a discriminação ocorre também pelos esteriótipos pejorativos que se concretizaram no surgimento midiático do vírus. De acordo com a OMS, em meados dos anos 90, quando o vírus HIV se disseminou e se transformou em uma epidemia, grupos sociais históricamente marginalizados (LGBT, quilombolas) tiveram maior contato com a contaminação, justamente pela falta de amparo estatal e, principalmente, social. Com isso, a sociedade, nos dias atuais, assimila tais grupos como sucintos a terem e compartilharem o vírus e a doença. Destarte, é imprescíndivel que esse paradigma seja descontruído e ressignificado.

Conclui-se que é indispensável intervir sobre o problema. Para isso, urge que os governantes, como garantidores das necessidades básicas dos cidadãos, criem campanhas educacionais e conscientizadoras voltadas à IST’s com enfoque nos mitos arcaicos formados ao longo dos anos, a partir de grandes investimentos de verbas na educação e saúde, a fim de politizar a sociedade, além de diminuir crenças retrógadas e preconceituosas, Desse modo, o país será mais unido, respeitoso e harmonioso, proporcionando, portanto, os direitos assegurados na Constituição Federal.