O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 14/10/2021

Cazuza, famoso cantor brasileiro da década de 80, surpreendeu o país ao revelar o seu diagnóstico de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida - AIDS, e mais, a velocidade do avanço da doença em seu organismo. Em que pese a cura ainda não tenha sido descoberta, atualmente o sistema de saúde já conta com eficiente tratamento ao combate da referida infecção, a ponto de quase zerar a carga viral no organismo do indivíduo. No entanto, há ainda que se tratar outro ponto que faz doer no corpo e na mente dos infectados: o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira.

Mesmo em tempos tão modernos como o presente século XXI, assuntos como a AIDS ainda encontram barreiras estratosféricas. A deficiência na discussão e informação sobre o assunto gera mitos e preconceito em relação ao mesmo, o que torna o infectado uma espécie de “monstro social” que deve se recluir até a sua morte, quando não deveria ser assim. Portanto, o debate da questão é essencial, pois, por um lado, humaniza e dismistifica a mesma, por outro, incentiva possíveis infectados a vencerem o medo e realizarem testes diagnósticos, para que, caso este seja positivo, inicie o tratamento o quanto antes. Além disso, oferece maior conforto psicológico ao soropositivo em conversar com outras pessoas sobre o englório e receber apoio durante o tratamento.

Cada vez mais, pacientes terminais portadores de doenças incuráveis, como o câncer, estão em busca de tratamentos paleativos de modo que tenham uma vida digna até a sua morte, para isso, há o engajamento de uma equipe familiar e profissional por trás disso. Porém, quando o assunto é AIDS, o apoio familiar, social e profissional, por vezes, é distante, conforme dados da Agência Brasil, em que 46,3% dos entrevistados já foram alvo de fofocas e comentários discriminatórios no ambiente familiar; 19,6% já foram prejudicados no âmbito profissional; e, no círculo social, 25,3% já foram assediados verbalmente por serem soropositivos. Mesmo tendo suporte constitucional, que lhe confere o pleno exercício dos direitos civis, profissionais, afetivos… a própria sociedade é negligente no exercício destes em relação ao cidadão soropositivo.

Em razão disso, é nítido o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira, bem como a urgente quebra de paradigma em relação ao tema. Nesse contexto, é imperioso que haja por parte do Ministério da Saúde campanhas educativas sobre a AIDS e a importância do seu dignóstico precoce, pois como bem afirmou Nelson Mandela “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Assim, o ensino combateria o desconhecimento da população, que ao invés de reprimir preconceituosamente um soropositivo, ajudaria, confortaria… seja por meio de um abraço, seja por palavras benditas, ou qualquer outro “jeitinho brasileiro” de amar.