O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 16/10/2021
Segundo René Descartes, filósofo racionalista, o mundo dos seres humanos é um imenso espetáculo que proporciona pessoas que tentam se impor através da intolerância, causando caos ao meio. De maneira análoga ao pensamento do autor, a realidade brasileira apresenta um imenso estigma a respeito do enfrentamento do vírus HIV pela sociedade, mesmo que, com o avanço das tecnologias da área da saúde, já seja possível a prevenção e tratamento eficazes, fazendo com que o vírus fique indetectável. A partir disso, é necessária a solução dos problemas apresentados, em que, de um lado, existe o preconceito enraizado e, de outro, a falta de incentivos governamentais nos setores de comunicação e informação, tendo como consequência, uma desinformação generalizada.
Primordialmente, durante muito tempo, a infecção sexualmente transmissível foi vista como uma doença que matou milhões de pessoas nas décadas de 1980, acarretando em uma discriminação voltada à parcela da população que adquire o vírus no hodierno cenário brasileiro, tornando, assim, a vivência com o medo, favorecendo a progressão para transtornos psíquicos e a negação do tratamento. De acordo com a ONU, 64,1% das pessoas que têm HIV/aids sofreram alguma forma de discriminação. Com base nos dados, conclui-se que é de extrema importância medidas para o enfrentamento do impasse, tendo em vista a formação de uma sociedade mais empática e solidária.
Ademais, a escassa ajuda do poder público nas questões de circulação de informações pelos meios de comunicação é bastante preocupante, porque grande parte da comunidade não sabe sobre os avanços das prevenções e tratamentos já existentes, aumentando as desigualdades e desinformação. Consoante Mário Sergio Cortella, filósofo e autor brasileiro, não basta ter informação, é preciso saber o que fazer com ela. Levando em consideração essa ilustre frase, é perceptível a importância da propagação de informações confiáveis em todos os meios possíveis, visando o alcance máximo de pessoas, informando, dessa forma, as formas de controle do HIV.
Infere-se, portanto, que o problema está em total relação com o preconceito e a desinformação, sendo vital medidas para o alcance da igualdade. Nesse sentido, é imprescindível que o Ministério da Educação ofereça palestras nas escolas com profissionais da saúde, médicos e psicólogos, os quais devem mostrar medidas para a erradicação dos preconceitos acerca da infecção, começando pelas idades mais tenras, a fim de minimizar as discriminações das gerações futuras sobre o tema. Outrossim, é necessário que o Ministério das Comunicações invista na circulação de informações sobre o HIV e seus tratamentos, por meio de rádios, televisores e panfletos, para que possamos atingir uma maior parcela populacional e oferecer a melhor ajuda possível aos detentores do vírus.