O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 16/10/2021
De acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “As Cidadanias Mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que todos os direitos são universais e desfrutados por todos. Nessa análise, o preconceito associado às pessoas soropositivas na contemporaneidade, revela-se como um agravante para a plena cidadania. Nesse contexto, evidencia-se a forte questão moral acerca desse tema e suas consequências.
Vale ressaltar, de início, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida ser uma doença sexualmente transmissível, o que gera certo pudor e intolerância em um corpo social que a sexualidade, muitas vezes, é considerada um tabu. Conforme o físico Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Nesse sentido, o fato de a AIDS ser um caso clínico que assola principalmente indivíduos socialmente marginalizados, como integrantes da comunidade LGBT, trabalhadores do sexo e privados de liberdade, colaboram para o estigma associado à essa infecção tomar proporções ainda maiores. Desse modo, os soropositivos, além de encararem o tratamento do próprio HIV, são vítimas de discriminação e isolamento.
Somado a isso, destaca-se o conceito de saúde da Organização Mundial da Saúde como não apenas a ausência de enfermidades, mas como o completo estado de bem-estar do indivíduo, social, psíquico e físico. Dessa forma, os portadores da AIDS, apesar de no contexto atual terem a possibilidade de um tratamento eficaz que permite uma vida completamente normal, devido a discriminação e hostilidades enfrentadas no dia a dia, a saúde social e psíquica desses indivíduos é comprometida, favorecendo, por exemplo, o abandono do tratamento e a depressão. Com efeito, negligenciando a efetividade de direitos básicos garantidos pela Constituição Federal de 1988, como a saúde, respeito e dignidade.
Evidencia-se, portanto, o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira. Tendo em vista que, para permitir a plena inclusão dos soropositivos no corpo social e evitar a sua criminalização, é necessário que a mídia, grande influenciadora de massas, por meio do merchandising social, em séries, documentários e também pela própria propaganda direta, abordem o tema da AIDS, visando tirar a carga negativa associada aos seus portadores do imaginário da população e as dificuldades enfrentadas por estes, possibilitando, assim, uma maior cidadania para esse grupo.