O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 18/10/2021
O vírus HIV, o qual pode ser transmitido sexualmente, atua atacando as células de defesa e comprometendo o sistema imune da pessoa infectada, o que configura a doença chamada AIDS. Entretanto, além da própria patologia, os indivíduos soropositivos precisam enfrentar preconceitos e tabus em torno da questão, devido à falta de conhecimento e à influência do período em que essa doença se disseminou pelo mundo, na década de 80. Com isso, fatores de ordem histórica e social caracterizam a problemática.
É importante pontuar, de início, os estigmas e preconceitos perpetuados desde o final do século XX, quando a doença expandiu mundialmente e foi responsável pela morte de diversas figuras públicas, entre elas homossexuais. Naquela época, a falta de conhecimento sobre a doença, as altas taxas de mortalidade e o fato de atingir, principalmente, essa minoria levou à formação de uma preconceituosa e infundada ideia de castigo divino contra os indivíduos homossexuais. Além disso, também gerou certo receio e afastamento das pessoas com os infectados que faz-se presente até os dias atuais, inclusive dentro da própria família.
Outrossim, vale ressaltar o peso dos valores morais da sociedade em torno da questão atrelado à pouca informação como agravantes para esse cenário de preconceitos. Nesse sentido, o fato da forma de transmissão da AIDS ser, principalmente, sexualmente representa um tabu para as pessoas e leva à falta de diálogo sobre o assunto. Entretanto, uma vez que o conhecimento contribui para, além da prevensão da doença, como também para o combate dos estigmas faz-se mister a maior conscientização da sociedade. Dessa forma, a população brasileira conseguirá entender que aquele cenário da década de 80 não existe mais, visto que, com o avanço da medicina e com a disponibilização dos coquetéis (remédios), os indivíduos soropositivo conseguem viver com o vírus por anos.
É notória, portanto, a relevância de fatores de caráter histórico e social na temática supracitada. Nesse viés, cabe ao governo federal, em consonância com a mídia, o papel de difundir mais informação sobre a doença e seu tratamento a fim de proporcionar maior esclarecimento para a população e combater preconceitos infundados. Tal medida pode ser efetivada por meio de anúncios e propagandas nos principais meios de comunicação que abordem o assunto de forma clara e sem julgamentos. Ademais, é fundamental que a família do indivíduo soropositivo procure demonstrar apoio e acolhimento a partir do respeito diante das dificuldades que a doença por si só inflige. Poder-se-á, assim, combater esses estigmas e tabus em torno da questão.