O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 17/10/2021
A década de 1980 foi marcada pela endemia do vírus da Imunodeficiência Humana no Brasil e no mundo. Com os avanços da medicina, contudo, foi possível controlar as incidências de tais infecções. No Brasil hodierno, porém, ainda são preocupantes algumas ideias e atitudes errôneas de uma parte da população em relação ao HIV. Nesse sentido, torna-se essencial discutir a frequente desinformação acerca de aspectos ligados a essa condição de saúde, bem como os diversos efeitos negativos disso.
A princípio, a falta de debates sobre sexualidade - por extensão, sobre as infecções sexualmente transmissíveis – demonstra-se como principal causa de preconceitos contra soropositivos. Nesse viés, Valéria Polizzi, em seu livro “Depois daquela viagem”, relata o temor que sentia de ser inferiorizada ao contar a amigos e familiares que havia contraído a AIDS. Isso a levou, por exemplo, a sofrer dificuldades em continuar no tratamento. Semelhantemente à realidade de Valéria, muitos soropositivos temem a discriminação. Por esse motivo discussões acerca das reais formas de contágio e possibilidades de conviver bem com o vírus são necessárias.
De outra parte, como consequência das desinformações citadas, indivíduos sob essa condição patológica são frequentemente diminuídos pela sociedade. Sobre isso, o sociólogo Erving Goffman define “estigma” como uma subclassificação do caráter de certos grupos. Analogamente, muitos portadores de HIV são estigmatizados como promíscuos e reduzidos a sua condição. Dessa forma, estabelece-se uma marginalização social dessas pessoas, o que as impede, por exemplo, de exercerem direitos básicos, como mostrado no filme “Filadélfia”, em que um advogado é demitido de uma empresa simplesmente por ser soropositivo.
Portanto, urge que o Ministério da Saúde, por meio de palestras em escolas e universidades e eventos on-line, promova discussões sobre as formas reais de contaminação do vírus HIV - como contatos que envolvem mucosas - bem como as possibilidades de pessoas soropositivas viverem com qualidade. Essa ação findaria mitigar conceitos errôneos acerca dessa condição de saúde e contaria com a participação de especialistas no assunto e cidadãos que convivem bem com a infecção, como Valéria Polizzi. Dessa forma, os estigmas associados a essa patologia seriam superados.