O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 21/10/2021

No anime “Naruto”, criado por Masashi Kishimoto, os Jinchuurikis são seres humanos que possuem o grande e temido poder das bestas de caudas e, muitas vezes, isso trazia medo e preconceito por parte das pessoas de suas respectivas vilas, que respondiam com violência, segregação, tentativas de assassinato e abusos. Não tão longe da ficção, a situação enfrentada pelos Jinchuurikis é a mesma de indíviduos quem sofrem com o HIV na sociedade brasileira, fator que pode ser um problema no controle da enfermidade no país. Com isso, infere-se que o estigma associado ao vírus HIV no Brasil é um problema, que ocorre pelo descaso midiático e pela omissão escolar.

É válido ressaltar, inicialmente, a negligência das grandes mídias sobre esse impasse. Nessa perspectiva, Pierre Bordieu, sociólogo francês, diz que a mídia não está sendo utilizada como um instrumento democrático, mas sim como uma ferramenta de opressão simbólica. Tal afirmação é coerente com o entrave, já que, vergonhosamente, um assunto de tamanha relevância nacional não seja abordado da maneira que deveria, trazendo desinformação e muito sofrimento para quem vive com essa enfermidade, tendo em vista a grande perda do convívio social e o afastamento dos seus direitos. Dessa forma, o meio midíatico perde seu valor como propagador informacional e estimula a ignorância e a manuntenção de estigmas, evidenciando o interesse lucrativo acima das causas sociais e prejudicando o combate do vírus da imunodeficiência humana na sociedade brasileira.

Além disso, a omissão escolar também deve ser considerada. Nesse sentido, Kant diz que o homem é o que a educação faz dele, dando clara importância para o processo educacional na formação de indivíduos. No entanto, tal fato não tem a devida relevância no país, uma vez que as instituições de ensino estão mais preocupadas em preparar o aluno para tirar boas notas do que prezar pelo estímulo de suas virtudes, aprimoramento da capacidade reflexiva e quebra de preconceitos, principalmente por meio de diálogos e palestras que busquem abordar temas como a do vírus. Dessa maneira, é notório que a educação brasileira fica enfraquecida no aspecto transformador e favorece uma sociedade com cidadãos individualistas e pouco empáticos com o problema do outro.

Logo, o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira deve ser urgentemente quebrado. Para intervir, a mídia, órgão que atinge as massas, deve abordar mais esse assunto, através da ficção engajada, novelas e nos noticiários, para criar um sentimento empático de toda a sociedade. Ademais, a escola, órgão formador de cidadãos, deve propriciar debates sobre esse assunto, atráves de inclusões na carga horária escolar, para que, no futuro, os cidadãos saibam entender o problema de quem sofre com isso. Assim, esses indíviduos não irão sofrer o que os Jinchuurikis sofreram.