O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 20/10/2021
Freddie Mercury, astro da banda Queen, é um símbolo da estigmatização da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) na contemporaneidade, haja vista que optou por relevar publicamente seu diagnóstico apenas dois dias antes de sua morte, após anos de infecção. Consoante a realidade enfrentada pelo cantor, não são raros os casos de brasileiros soropositivos que decidem por manter o anonimato da infecção para não sofrerem as represálias do preconceito que sociedade brasileira impõe. Nesse sentido, é importante compreender que a alienação social e a falta de representatividade contribuem diretamente para a temática.
Primeiramente, cabe ressaltar que a desinformação por parte da população brasileira é um elemento que fortalece o preconceito associado à discriminação da AIDS. Dessa maneira, é imperativo aludir ao fato de que, atualmente, existem tratamentos antirretrovirais eficazes para a infecção sexualmente transmissível (IST) em questão. A terapia mencionada promove uma excelente qualidade de vida para o indivíduo, ao passo que contribui para tornar sua carga viral indetectável, de acordo com o Programa das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS). Assim, as informações científicas citadas são evidências que refutam as crendices populares preconceituosas, e, desse modo, devem ser amplamente divulgadas com a finalidade de combater o prejulgamento consolidado que apenas uma sociedade omissa e alienada pode insistir em manter.
Além disso, outro pilar que auxilia na sustentação da estigmatização do HIV é a falta de representatividade. Dessa forma, a temática é propositalmente excluída das produções cinematográficas, o que, por sua vez, contribui para a marginalização dos indivíduos. Dentro desse cenário, é possível comprovar o fenômeno citado por meio do filme “Bohemian Rhapsody”, no qual a relação entre Freddie Mercury e o HIV não é retratada. Logo, é mandatório explicitar que não há como combater um preconceito evitando a visibilidade sobre o assunto. Nesse seguimento, é mister que as redes televisivas e indústrias de streaming rompam com a neutralidade e coloquem a problemática em pauta em suas produções, visto que a omissão praticada por essas só contribui para a consolidação de uma versão errônea da história coletiva dos milhões de indivíduos infectados pelo HIV.
Portanto, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas para solucionar a temática. Desse modo, cabe ao governo federal, por meio do Ministério da Saúde, atuar na criação de campanhas públicas que objetivem a disseminação de conteúdo informativo sobre HIV/AIDS, por meio da ampla utilização das mídias sociais, a fim de reduzir o prejulgamento dos portadores da IST. Destarte, os indivíduos soropositivos, como Freddie Mercury, não manterão seus diagnósticos anônimos no futuro.