O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 25/10/2021

A Organização Mundial da Saúde (OMS) caracteriza a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) como uma epidemia global, por ter infectado mais de 37,9 milhões de pessoas. Nesse sentido, os avanços científicos farmacêuticos suprimiram o caráter epidemiológico do HIV. Não obstante, os estigmas associados a doença ainda permanecem na sociedade brasileira, o que se configura como um grave problema social que deve ser revertido. Para tanto, deve-se analisar a causa e consequência do impasse: desconhecimento e depreciação da socialização do paciente.

Sob esse viés, é importante destacar que a insciência da sociedade catalisa o imbróglio. Nessa perspectiva, algumas pessoas evitam o contato físico direto, por exemplo, abraços e beijos, com os indivíduos soropositivos. Isto posto, essa crença errônea está associada ao desconhecimento acerca da transmissão do vírus. Outrossim, é válido enfatizar que o tratamento moderno com antirretrovirais leva o paciente a uma taxa de transmissão praticamente nula. Nesse prisma, o filósofo Friedrich Nietzsche criou a teoria “Moral de Rebanho” a qual os estigmas associados ao HIV enquadram-se, em suma, o pensador afirma que os preconceitos são transmitidos pela população de maneira automática sem reflexão, levando a uma moral errônea massificada. Desse modo, os preconceitos acerca do HIV são perpetuados conforme prevê a teoria, estimulado pelo desconhecimento.

Ademais, é imprescindível ressaltar não só a causa, mas também a exclusão social gerada pelo entrave. Sob essa ótica, os estigmas depreciam a socialização do paciente com AIDS, ao passo que alguns indivíduos evitam o contato ou julgam o portador do vírus. À vista disso, segundo a reportagem de 2019 da Agência Brasil, 42,3% dos portadores de HIV revelaram ter sofrido assédio ou exclusão durante atividades sociais. Assim sendo, essa realidade faz com que ambientes de interação, tornem-se hostis para pessoas com a doença, devido ao preconceito, o que estimula a segregação social, pois para se proteger os soropositivos evitam tais locais que poderiam servir para confraternizações.

Portanto, é mister que diligências sejam tomadas para solucionar essa problemática. Logo, cabe a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o Ministério da Saúde, criar uma campanha educacional midiática, a fim de romper com os estigmas associados a AIDS. Para tal, deve-se veicular animações rápidas nas redes sociais de maior acesso-como Instagram e Tiktok- que expliquem de forma fácil a transmissão do HIV, a profilaxia e a eficácia do tratamento. Dessa forma, a UFMG deverá disponibilizar estudantes de animação para realizar o vídeo, a partir do roteiro criado pelos médicos do Ministério da Saúde. Destarte, com a difusão desses conhecimentos, além da epidemia de HIV, os estigmas associados a doença também serão atenuados.