O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 02/11/2021

Na mitologia grega, Teseu, com a ajuda de Ariadne – que lhe entregou uma espada e um fio de linha – mata o Minotauro e salva jovens atenienses. Analogamente, o mito representa uma metáfora contemporânea do estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira, causado principalmente pelo tabu acerca da doença e pela cultura social preconceituosa criada desde o início da epidemia no país, em 1980, que isola os soropositivos da sociedade e causa desistência do tratamento em muitos casos. Portanto, é preciso analisar as causas desse problema a fim de que sejam encontradas soluções exequíveis.

Em primeira análise, o vírus HIV é causador da AIDS, doença que afeta o sistema imunológico, enfraquecendo-o e propiciando maior vulnerabilidade a infecções. Entretanto, pesquisas realizadas com mulheres soropositivas apontam que cuidados com a alimentação e o uso do tratamento correto tornam possível conviver com o vírus e ter qualidade de vida. Atualmente, cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil e 94% das pessoas em tratamento não transmite o HIV por via sexual por terem atingido carga viral indetectável, sendo um dos exemplos de como a AIDS pode ser controlada e dar ao soropositivo a chance de uma vida normal.

Em segunda análise, no início da epidemia, nos anos 80, o tratamento do HIV era algo distante e a chance de morte era alta para parcela significativa da população soropositiva da época. Ademais, a doença, cercada de preconceitos, era denominada “peste-gay” por ser associada ao desvio de comportamento, e tal moralismo instituído nesses grupos sociais os colocam até hoje em uma condição de vulnerabilidade em relação à doença sendo, em grande parte, os mais atingidos. Dessa forma, é preciso encontrar a espada e fio para derrotar esse metafórico Minotauro como fez Teseu.

Em suma, o preconceito acerca do vírus HIV na sociedade brasileira deve ser combatido para que uma maior parcela da população se informe, se previna e busque tratamento se necessário. Urge que a família - primeiro núcleo de sociabilidade do indivíduo - o conscientize, através do diálogo, a respeito do vírus, de métodos contraceptivos e também de como é possível viver uma vida saudável e normal sendo soropositivo, e que o Ministério da Saúde realize campanhas de incentivo ao tratamento do vírus HIV em todas as unidades de saúde, especialmente em dezembro, no mês da luta contra a AIDS. Apenas assim, a médio e a longo prazo, o metafórico monstro do preconceito será, finalmente, sanado.