O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 24/10/2021

O filme Paris is Burning, de Jennie Livingston retrata o panorama da população estadunidense no ápice da epidemia de Aids no país e os estigmas sobre a doença e sobre as pessoas afetadas. Paralelamente, no Brasil, os mitos e preconceitos com relação à pessoas diagnosticadas com HIV representam mais uma dificuldade para o controle da doença, sustentados por premissas arcaicas e, infelizmente, predominantes.

Segundo dados do Ministério da Saúde, os mais atingidos pela doença são pessoas pobres e mulheres, grupos sociais que já são, historicamente, marginalizados pelas insitituições sociais. Os primeiros se tornam mais vulneráveis devido à dificuldade de acesso aos serviços de prevenção e tratamento, que é bastante evidente e tem se tornado razão de constrangimento. Além disso, deixar o controle da prevenção nas mãos dos homens, através do enfoque na distribuição de preservativos masculinos em detrimento dos femininos, muitas vezes faz com que mulheres se econtrem em situação de dependência da escolha do parceiro.

Os impactos negativos do discurso de ódio originado desde o início da epidemia são visíveis até hoje. Apesar da Aids ser uma infecção crônica manuseável e apesar da conquista de direito a sigilo de pessoas soropositivas, boa parte da população ainda se sente intimidada e desencorajada  a buscar tratamento adequado, devido ao medo do julgamento de pessoas próximas, que são incentivadas pelas ideias ultrapassadas e preconceituosas e que acabam condenando milhares de pessoas à morte, ainda hoje, no Brasil.

Destarte, fica evidente a necessidade da desconstrução do tabu relacionado ao vírus HIV no Brasil. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde em parceria com a Secretaria de comunicação fomentem campanhas de conscientização voltada à atenção básica de saúde, através da realização de visitas domiciliares com profissionais qualificados para fornecer informação e cuidado de saúde. Assim, será possível conter a desinformação  e controlar a propagação da doença no Brasil.