O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 30/10/2021

“Pose” é uma série americana que retrata a comunidade LGBT+ nova-iorquina dos anos 80 a 90. Em um de seus episódios, Pray Tell, homem gay recém-diagnosticado com HIV, desabafa sobre o preconceito que soropositivos de grupos marginalizados enfrentam. Não distante da ficção, a patologia permanece estigmatizada na sociedade brasileira, fazendo jus aos temores provocados pela mídia e à desinformação sobre a infecção.

Primeiramente, é necessário ressaltar que os temores provocados pela mídia nos primódios do descobrimento do vírus colaboraram com um estado de histeria coletiva incessante. Segundo uma reportagem da Câmara Legislativa, nos anos 90, uma campanha do Ministério da Saúde vinculava a doença à morte iminente. Ainda segundo dados dessa pasta, 80% dos infectados eram homens, especialmente homossexuais, de modo que os canais de comunicação caracterizavam a comunidade LGBT+ como vetora de doenças e promíscua.

Ademais, cabe salientar que a desinformação sobre a infecção ocasiona perda de fonte de renda da população soropositiva e aumento do número de casos nos últimos anos. Conforme pesquisas da Agência Brasil, cerca 19% dos entrevistados já foram rejeitados em uma oferta de emprego ou perderam fonte de renda por portarem HIV. Além disso, dados do Ministério da Saúde informam que, entre 2005 e 2014, a Aids, imunossupressão provocada pelo vírus, mais que triplicou entre jovens.

O estigma associado à infecção na sociedade brasileira é, portanto, fruto de antigos temores midiáticos que permaneceram no imaginário social. Dessa maneira, se endossa o ambiente de desinformação sobre a condição, marginalizando as populações-chave portadoras da doença e permitindo aumento de contaminação. Logo, a fim de que esse cenário seja revertido, cabe ao Ministério da Saúde a elaboração de campanhas de conscientização sobre prevenção e tratamento da doença, os quais estão disponíveis através do Sistema Único de Saúde, com o propósito de diminuir número de infectados e aumentar o de diagnósticos.