O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 27/10/2021
De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em 2020, cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. No entanto, nota-se que apesar da grande frequência de casos nos dias atuais e da gravidade dos danos gerados pela infecção, mazelas como a desinformação e o preconceito relacionado aos indivíduos portadores do vírus causador da AIDS, decorrente do pouco conhecimento sobre o assunto, ainda são presentes na sociedade. Dessa forma, medidas devem ser tomadas com o intuito de solucionar o estigma existente.
A princípio, urgem discussões acerca da falta de informação relativa à manifestação da patologia em geral. Por esse viés, em um dos episódios da série Grey´s Anatomy é retratado o desconhecimento sobre a transmissão do HIV e seus impactos no tratamento de um paciente soropositivo. Nessa perspectiva, é possível inferir que a desinformação atua como adversidade tanto na prevenção, quanto no tratamento do problema, uma vez que dificulta o entendimento e, como efeito, gera aumento dos casos. Além disso, a escassa compreensão no que concerne à doença supracitada contribui para a perpetuação de atos preconceituosos, em razão de falsos conceitos enraizados na sociedade. Logo, projetos para a difusão do conhecimento devem ser efetuados para a resolução desse imbróglio.
Ademais, cabe ressaltar o preconceito associado à parcela da sociedade infectada pelo HIV como questão basilar do revés. Sob tal ótica, segundo o Programa das Nações Unidas, 64,1% das pessoas que têm HIV/AIDS sofreram alguma forma de discriminação. Isso ocorre devido ao pensamento arcaico, intrínseco na sociedade moderna, de que a doença é ocasionada exclusivamente por relações entre pessoas de mesmo sexo, visto que tal dado infundado, anteriormente divulgado pela mídia, perdura na contemporaneidade. Para mais, em consequência da agnose, grande parte da população acredita que a enfermidade pode ser transmitida através do ar ou do toque, sendo assim, pessoas que a possuem sofrem segregações e são afastadas dos meios interpessoais corriqueiramente. À vista disso, tornam-se necessárias ações com a finalidade de reverter essa chaga.
Depreende-se, portanto, a indispensabilidade de intervenções com o propósito de amenizar o estigma ligado ao vírus HIV na sociedade brasileira. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde a criação de campanhas sociais de conscientização, por meio da distribuição de panfletos em clínicas de saúde pública, a fim de ampliar a ciência sobre o agente patogênico supramencionado. Outrossim, compete também aos Órgãos Federais a implementação de materiais explicativos em escolas e faculdades, tal como a organização de palestras ministradas por profissionais da área de saúde, com o objetivo de extinguir o preconceito. Destarte, tais dilemas não mais serão uma realidade no país.