O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 26/10/2021

Consoante à concepção filosófica de São Tomás de Aquino, todo indivíduo inserido na sociedade possui a mesma importância, bem como os mesmos direitos e deveres. No entanto, no atual contexto, tal narrativa não se faz presente, tendo em vista que o homem segue fortemente atrelado à hostilidade e à repressão. Nesse sentido, no que tange à questão do estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira, nota-se um delicado problema, em virtude da falta de empatia e da negligência quanto ao assunto.

Em primeiro lugar, cabe pautar que a sociedade brasileira carece da cultura da prática da empatia, o que contribui para a persistência do preconceito contra aqueles infectados com o vírus HIV. Conforme a teoria da jornalista alemã Hannah Arendt, à medida que tomamos atitudes ruins, estas tornam-se comuns, banais para a sociedade, formulando o que se conhece como “Banalidade do Mal”. Dessa forma, à proporção que se instituiu o estigma relacionado à doença, este foi tornando-se habitual, o que torna o cicadão brasileiro cada vez mais apático em buscar a inclusão dos contaminados pelo vírus. Fica evidente, portanto, a necessidade do exercício da compreensão inclusiva acerca da patologia abordada.

De maneira semelhante, a escassa discussão do tópico dificulta a supressão do estigma relativo à doença suscitada pelo HIV. A discriminação é, segundo a Sociologia, uma forma de manifestar o desejo autoritário, motivada pela ignorância e pelo medo. Destarte, verifica-se que a gravidade associada à infecção em pauta impede que esta seja apresentada desde cedo, nas escolas, por exemplo, culminando na desinformação da sociedade brasileira, que reproduz tal desinformação continuadamente. Assim, a negligência a respeito da contaminação pelo vírus, igualmente, impede o fim do preconceito a ela relativo.

Em suma, cabe ao Poder Público, na condição de garantidor dos direitos à população, atuar, em conjunto ao Ministério da Saúde, promovendo campanhas de conscientização sobre o vírus HIV, por meio de palestras e debates nas escolas, bem como nos ambientes de trabalho, a fim de proporcionar esclarecimento e discussões sobre a doença, de forma a evitar a propagação da desinformação e, consequentemente, de preconceitos. Assim, gradualmente, a sociedade se aproxima da concepção de São Tomás de Aquino.