O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 27/10/2021

O HIV é um vírus derivado dos chipanzés da África Central, foi descoberto na década de 80 e causa uma doença chamada AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). Ao longo da história - tanto nacional quanto mundial - os portadores do HIV sofreram injustamente com o preconceito, principalmente por causa dos estereótipos relacionados aos grupos inicialmente mais contaminados. Visto que esse estigma fere a dignidade do cidadão, tais atos devem ser urgentemente repensados.

Inicialmente, analisando a história percebe-se uma série de doenças que além dos impactos físicos, também modificam a esfera social dos enfermos, como a hanseníase, a obesidade, a depressão e a maioria das ISTs (infecções sexualmente transmissíveis). Tais enfermidades se estigmatizaram à partir de conceitos errôneos propagados por crenças religiosas, discursos de ódio, ou pela mídia, trazendo a imagem do infectado como alguém inferior. No caso do HIV a problemática é ainda maior, visto que as principais vias de transmissão envolvem contato sexual ou uso de drogas é comum que se associe o portador do vírus ao crime ou com uma vida “libertina”, segregando-o ainda mais.

Ademais, segundo o filósofo Voltaire: “O preconceito é a razão dos imbecis”. Sendo assim, o preconceito se aproveita da vulnerabilidade de certos grupos para intensificar ataques sem embasamento ou que ferem os direitos humanos. Por exemplo, na década de 90 havia um movimento migratório haitiano para o Brasil, e a estratégia adotada para evitar a simpatia dos cidadãos em receber esses imigrantes foi fomentar a ideia do HIV como a doença dos 5 Hs - haitianos, homossexuais, hemofílicos, heroinômanos e hookers. Com toda certeza tal definição contribuiu para a marginalização desses indivíduos na sociedade brasileira, dificultando seu acesso aos tratamentos de saúde necessários, reinserção na sociedade etc.

Dessa forma, urge a necessidade do governo amenizar os impactos desse imaginário coletivo estigmatizado a respeito dos portadores do HIV, por meio de propagandas televisivas e campanhas de conscientização, em plena concordância ao Ministério da Saúde, a fim de proporcionar mais dignidade a estes indivíduos.