O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 26/10/2021

Zygmunt Bauman defende que “não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. No entanto, não é possível uma reação interventiva na questão dos estigmas associados ao vírus HIV, os quais são, muitas vezes, naturalizados em diferentes esferas sociais. Assim sendo, deve-se traçar estratégias a partir da atuação nas causas do problema: a insuficiência legislativa e a influência da mentalidade social.

Sob esse viés, pode-se apontar como um fator determinante a insuficiência legislativa. Gilberto Dimenstein explica que no Brasil as leis são inefetivas, o que gera uma falsa sensação de cidadania. Tal inefetividade é nítida na permanência dos preconceitos contra as pessoas portadores do HIV, visto que muitas ainda são excluídas em seu ambiente familiar, afetivo e laboral. Assim, é urgente que a “cidadania de papel” - de que o jornalista falou - seja superada.

Em paralelo, a influência da mentalidade social é um entrave no que tange ao problema. Chimamanda Adichie defende que “a cultura não faz as pessoas, as pessoas fazem a cultura”. Tal perspectiva aponta para a responsabilidade individual de mudar o coletivo quanto os estigmas associados ao vírus HIV, uma vez que a violência verbal, psicológica e física direcionados a tal grupo de pessoas faz com que a vida dessas seja menos plena e digna. Logo, urge suscitar a ação individual para a construção social desejada.

Portanto, é indispensável intervir sobre o problema. Para isso, a mídia de massa deve criar um programa, por meio de entrevistas com especialistas no assunto, a fim de atualizar a mentalidade social sobre o necessário combate ao preconceito contra os soropositivos. Tal ação pode, ainda, ser divulgada por grandes perfis do Instagram para atingir mais pessoas. Paralelamente, é preciso intervir sobre a insuficiência legislativa presente no problema. Somente desse modo, será possível, enfim, desenvolver uma reação às crises, como sugeriu Bauman.