O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 27/10/2021

Consoante a Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade, assim como um “corpo biológico”, é composta por partes que interagem mutuamente e cujo bom funcionamento é fulcral à saúde do todo. Seguindo a lógica durkheimiana, fica claro que o estigma associado ao vírus HIV no Brasil que, por vezes, prejudica inclusive o tratamento dos pacientes, ultraja a manutenção da coesão social. Em síntese, esse cenário é fruto da insciência popular acerca dessa temática, sendo, ainda, agravado pela desídia do governo na sua resolução.

Primordialmente, é profícuo destacar que a desinformação popular com relação à AIDS intensifica esse revés. De certo, a secundarização da disseminação de informações sobre essa patologia relativiza tal problemática na sociedade ao possibilitar o surgimento de vias de preconceito entre os leigos que, frente a uma doença tão amiudadamente estigmatizada, reverberam práticas potencialmente danosas aos portadores dessa síndrome. Nessa perspectiva, o filósofo Jünger Habermas ressalta a linguagem como meio de transformação dos aspectos sociais do mundo. Assim, a educação é um fator que contribui com a qualidade de vida do enfermo que, já fragilizado pela sua condição, necessita de amparo.

Faz-se mister, ademais, salientar a imperícia estatal como impulsionadora do problema. Nesse sentido, o artigo 3 da Carta Magna de 1988 incumbe ao Estado o dever de atestar uma sociedade justa e sem preconceitos. Conquanto, a persistência da marginalização dos portadores da síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), ao privar esses indivíduos do convívio social e, por conseguinte, afligi-los psicologicamente — o que pode prejudicar o seu tratamento —, demonstra que essa garantia se restringe à legislação. Logo, o pragmatismo das leis mostra-se medular ao bem-estar do aidético e, portanto, à mitigação dessa problemática.

Frente a tal óbice, urge, pois, que o Ministério da Saúde utilize o poder midiático de propagação de informação para, por intermédio de campanhas publicitárias no rádio, na TV e na internet, educar a população com relação às características da AIDS e de seus portadores. Destarte, pode-se incitar um sentimento de solidariedade na sociedade e, consequentemente, coibir possíveis atos de discriminação e repúdio contra os doentes, colaborando com a sua recuperação. Desse modo, suscita-se que o meio social, de fato, funcione como o “corpo biológico” de Durkheim.