O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 27/10/2021

A Lepra Contemporânea

O filme “A Cura” de 1995 é o retrato de uma amizade entre dois garotos, sendo um deles, portador do vírus HIV. A história se desenrola na dificuldade do menino acometido, em encontrar amigos, devido o preconceito dos moradores de seu bairro. Entretanto, ao conhecer um novo vizinho que tinha se mudado há pouco, antes do estigma chegar aos seus ouvidos, o convívio foi enraizado e, mesmo depois de informado, continuou próximo, sabendo que uma doença não era motivo de exclusão. Do mesmo modo, muitos brasileiros se mostram insensíveis à esses indivíduos e necessitam dessa aproximação, como forma de desmentificação das pessoas agravadas.

Primeiramente, deve-se levar em conta o motivo dessa estigmatização. O vírus, surgido na década de 80, se tornou um forte exponencial de transmissão, principalmente nos Estados Unidos, quando ainda não se tinha conhecimento de sua etiologia e desdobramentos. Com o tempo e o auxílio da medicina, tornou-se possível sua classificação e cuidados para o controle, no entanto sem uma imunização preventiva. Dessa forma, o medo, fusionado com a falta de informação e a forma de transmissão (a partir de relações sexuais, potencializado, principalmente, pelo imaginário popular, entre pessoas do mesmo sexo), ocasionou em uma repressão generalizada, como forma de “defesa” para os cidadãos.

Da mesma forma, na Idade Média, momento histórico no qual pessoas agravadas pela lepra eram excluídas da sociedade, chegando a ser obrigadas a informar com o toque de um sino, sua aproximação, contemporaneamente, o vírus HIV é uma mácula dos tempos modernos, ou seja, apesar do desenvolvimento social aparente, apenas renomeam as discriminações e realizam contínuas voltas no mesmo ponto, como demonstra a pesquisa realizada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em que mostra a porcentagem de 64% dos portadores que já sofreram algum tipo de preconceito.

Pontanto, infere-se a necessidade do Governo Federal, por parte do Ministério da Saúde, na criação de campanhas nacionais, por meio de comerciais televisivos, “folders” e cartazes em lugares públicos, na busca de frear esse medo e exclusão social com indivíduos portadores do vírus, a fim de diminuir a porcentagem de preconceito e herdar uma sociedade mais empática para as futuras gerações.