O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 29/10/2021

Mais que uma doença, a síndrome da imunodeficiência adquirida se tornou um tabu em nossa sociedade. Esse fato é uma das principais causas da extensa dificuldade de conter o alastramento da AIDS, ou seja, além dos motivos biológicos (elevada frequência de mutação do retrovírus causador da patologia), é necessário enfrentar também os sociais, os quais têm raiz na ideologia que a maioria carrega e transmite, repleta de preconcento, ignorância, atritos religiosos, caracterizando uma mentalidade  predominante. Dito isso, convêm analisar como isso se aplica no Brasil.

Segundo dados do Ministério da Saúde, os mais atingidos são os pobres e as mulheres, ou seja, grupos sociais que mais enfrentam barreiras culturais impostas pela ideologia predominante na sociedade. Os primeiros se tornaram mais vulneráveis devido à dificuldade no acesso aos serviços de prevenção e de tratamento, o qual é demasiadamente ostensivo e tem se tornado razão de constrangimento quando o enfermo o revela ao meio social. Além disso, o controle da prevenção nas mãos do homem prejudica o segundo grupo, à medida em que é facilitado o acesso aos preservativos masculinos e não o fazem da mesma maneira com os femininos, deixando as mulheres dependentes da escolha do parceiro.

Embora tenham ocorrido avanços nesses grupos, desde o primeiro caso registrado no Brasil em 1982, essas melhoras têm sido resultado de investimentos em processos preventivos, ou seja, foi reduzido apenas o número de novos infectados. Sendo assim, o maior alcance do tratamento não está sendo focado, o que pode acabar provocando fortes impactos demográficos, econômicos e sociais, visto que a AIDS, diferentemente das outras doenças, atinge mais os jovens, ao invés de idosos e crianças, e, portanto, a parte da população que mais oferece força de trabalho.

Assim, torna-se clara a necessidade de avanços de maiores proporções nos tratamentos da doença, assim como tornar os preços dos mesmos mais acessíveis. Dessa forma, um meio para essa alternativa pode ser a propiciação de melhores oportunidades de estudos aos cientistas brasileiros que querem e são capazes de produzir um tratamento de maior qualidade e que demande menos capital para ser adquirido. Bolsas de estudos, laboratórios devidamente equipados, acesso fácil aos livros necessários para o estudo, são instrumentos que podem ser oferecidos pelo governo federal às Universidades federais, melhorando, assim, o desempenho dos estudantes e cientistas na busca por uma melhor profilaxia da enfermidade em questão. O Estado também poderia melhorar os ensinos brasileiros, assim, dando mais informações aos jovens sobre a doença e ensinando a importância do uso da proteção