O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 02/11/2021

O geógrafo Milton Santos, no texto “Cidadanias Mutiladas”, dissertou que a democracia - ferramenta essencial para a fundamentação dos direitos e deveres - só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social. No entanto, sabe-se que a tese defendida pelo autor contrapõe-se à realidade do País, uma vez que o estigma associado ao vírus HIV, problemática motivada pelo silenciamento da mídia atrelado à ineficiência das leis, configura um problema hodierno que dificulta a materialização dos pressupostos previstos pela Carta Magna Cidadã.

Diante desse cenário, é válido citar, que há, no Brasil, uma intensa falta de informação acerca dos impactos dessa problemática. A título de ilustração, deflagra-se “O Mito da Caverna”- obra intitulada pelo filósofo grego Platão-, no qual homens, presos em uma caverna, enxergavam apenas as sombras, e assim, seriam expostos à personificação de uma realidade manipulada. De forma análoga à metáfora abordada, percebe-se que o eventual cenário verde-amarelo assemelha-se ao literário, visto que os veículos midíaticos não exibem as reais vertentes do empecilho para toda a sociedade, e assim, não há um conhecimento amplo sobre as causas e consequências herdadas por essa realidade nefasta. É prudente frisar, também, que isso traz como consequência a baixa visibilidade do problema, além de aumentar os estigmas preconceituosos relacionados aos portadores do vírus HIV e estimular marginalização social desses indivíduos.

Outrossim, é oportuno comentar que o cenário supracitado não remete ao que defende arcabouço jurídico do País. Isso porque, a Constituição Federal é clara em caracterizar a dignidade humana e a acesso à saúde como direito de todos, concebido com absoluta prioridade por parte do Estado. Entretanto, sabe-se que tais preceitos legais não se concretizam, posto que, segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país com o maior aumento de infecções pelo vírus da AIDS na América Latina. Esse recorte do panorama social brasileiro é suficiente evidenciar a passividade dos setores governamentais, no que concerne à carência de assessoria aos portadores de infecções sexualmente transmissíveis, já que pouco se é informado sobre os métodos de proteção contra o vírus.

Entende-se, dessa forma, a real necessidade de promover ações para mitigar o impasse. Para isso, cabe ao Governo Federal, na figura de autoridade máxima do país, intermediado pelos veículos de informações, investir na propagação de editais em revistas, jornais, rádio e televisão, acerca da importância do acolhimento e respeito  aos portadores do HIV, bem como é válido demonstrar as formas de prevenção ao vírus, com o intuito de diminuir a sua disseminação e os consequentes preconceitos e, também, fazer com que os princípios da Carta Magna, de fato, se reverberem.