O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 03/11/2021

No famoso livro “medicina do horrores” é narrado a forma macabra como os pacientes acometidos pelas diversas enfermidades eram tratados durante os séculos XVII e XVIII com um alto índice de mortalidade. Atualmente, graças aos avanços medicinais várias patologias, como o vírus HIV, podem ser tratados de forma humanizada. Apesar disso, seus portadores ainda sofrem com o preconceito, não só pela forma como a sociedade age, mais também pelos mitos construidos em volta da transmissão do vírus.

Em primeira análise, é fundamental discutir a forma discriminatória que a sociedade trata os soropositivos. Nesse sentido, para o sociólogo Émile Durkheim, o corpo social exerce forte pressão sob o indivíduo, de modo a afetá-lo. Sob essa pespectiva, grande parte dos portadores do vírus sentem essa coerção social. Prova disso, é que segundo pesquisa realizada pela agencia do brasil, quase 90% dos entrevistados já sofreram com comentarios maldosos pelo fato de possuirem o vírus. Dessa forma, a sociedade munida de seu poder coercitivo discrimina os portadores do HIV,

Além disso, outro fator que dificulta a superação dos estigmas relacionados a esse vírus são os mitos construidos em torno do assunto. Nesse viés, narrativas errôneas quanto a forma de transmissão acaba por ocasionar maior preconceito. Evidencia-se esse fato na pesquisa divulgado pela revista New York Times, o qual mostra que ainda existem pessoas que acreditam que o vírus é passado pelo aperto de mão, talheres ou piscinas. Dessa maneira, tais mitos levam a exclusão e isolamento do portador do HIV de momentos de lazer e descontração, além de potencializar o preconceito.

Portanto, levando em conta que a forma como a sociedade age, bem como os mitos envolvendo o assunto contribuem para o reforço de estigmas associados ao vírus é necessário políticas de mudança. Assim, o ministério da Saúde deve através de capanhas em centros de reabilitação e associações comunitárias, com rodas de conversas dirigidas por médicos, psicólogos e assistentes socias, buscar concientizar a população sobre os preconceitos vividos por essa parcela social. Também, os núcleos de apoio a pessoas com HIV devem, através das mídias locais, visando desconstruir pensamentos errados em torno do assunto, promover debates e discurssões. Dessas formas, podera-se-á acabar com os estigmas envolvendo o tema.