O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 10/11/2021

“O homem é a medida de todas as coisas.” Essa máxima, atribuída ao filósofo grego Protágoras, revela o protagonismo humano, em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente aos preconceitos e discriminações contra pessoas portadoras do vírus HIV, ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador, pois os diversos entraves em torno desse processo vitimizam todo o corpo social. Dessa forma, são inúmeros os estigmas associados ao vírus HIV, o que ocorre devido à ausência de educação sexual, perpetuando os casos de discriminação. Em primeira análise, convém destacar a obra “Mito da Caverna”, do filósofo Platão, na qual narrou a vida dos homens acorrentados em uma caverna, que viam somente sombras na parede, acreditando que aquilo era a realidade das coisas. Assim, como na ficção, muitas pessoas sem acesso à educação sexual vivem na escuridão, isto é, na ignorância, por muitas vezes tendo atitudes preconceituosas. Sob essa ótica, quem possui a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), sofre diariamente inúmeras discriminações, pelo fato do desconhecimento acerca da patologia. Em virtude disso, de acordo com o Programa das Nações Unidas (Unaids), 64% das pessoas que tem HIV, sofrem algum tipo de preconceito, como comentários negativos no ambiente social. Logo, os estigmas e as discriminações prejudicam os esforços no enfrentamento a epidemia do HIV, ao fazer com que as pessoas tenham medo de procurar por informações, serviços e métodos que reduzam o risco de infecção. e de adotar comportamentos mais seguros com receio de que sejam levantadas suspeitas em relação ao seu estado sorológico. Ademais, a ausência de educação sexual, tanto nas escolas, como no ambiente familiar é um fator preponderante para a perpetuação dos estigmas relacionados a AIDS e ao HIV. Nessa perspectiva, o artista francês Marcel Duchamp, ressaltava a quebra de paradigmas de uma sociedade pouco tolerante e expressamente conservadora. No entanto, na realidade se observa um conservadorismo, pelo fato de a educação sexual ainda ser um tabu no cotidiano da população, de forma que a falta de informação faz com que muitas pessoas não tenham conhecimento sobre o HIV, - o que perpetua com o aumento no número de infectados. Nesse cenário, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),um adolescente é infectado pelo HIV a cada dois minutos, de modo que não há uma cultura de falar abertamente sobre sexualidade entre as famílias no país, o que compromete tanto a prevenção, quanto o diagnóstico e a adesão ao tratamento do HIV e Aids.