O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 09/11/2021

Durante a década de 1980, a OMS ( Organização Mundial da Saúde) declarou a epidemia global de HIV, devido ao crescente número de casos da doença no mundo. Desde então, houve um maior controle sanitário, melhoria dos tratamentos e da condição de saúde dos infectados. Contudo, os soros positivos ainda enfrentam estigmas sociais, que são intensificados pela desinformação e pelo descasso estatal.

Diante desse cenário, vale ressaltar que a ignorância é uma das principais causas da criação de estigmas associados so vírus HIV. Sob essa ótica, no filme “A Cura”, Erik é um garoto solitário que luta contra o preconceito para se tornar amigo de seu vizinho, Dexter, um menino de 11 anos que carrega o vírus HIV. Entretanto, essa postura de Erik não está presente na sociedade brasileira, visto que a propagação de informações incorretas sobre o tema gera uma situação oposta ao da película, a exclução. Nesse sentido, ideais como: pessoas soros positivas não podem trabalhar ou transmitem o vírus pelo simples contato, reforça antigos estigmas e criar novos. Dessa forma, a ignorância contribui para a estigmatização desses indivíduos e prejudica o coletivo.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a forma como parte do Estado costuma lidar com o vírus HIV no Brasil. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstin, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretizam na prática. Prova disso, é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 6 da “Constituição Cidadã”, que garante, entre tantos direitos, a saúde. Isso é perceptível seja pela pequena campanha de conscientização acerca das formas de transmitir ou prevenir o contágio por HIV, seja pelo pouco espaço destinadoao tratamento dessa infecção. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir o combate ao estigma relativo ao vírus HIV.

Portanto, o Ministério da Saúde- órgão que tem a função de assessora a precidencia- deve criar campanhas educativas, que busquem informar a população sobre as formas de contágio e tratamento do vírus HIV, por meio de parcerias com escolas públicas e privadas, a fim de desconstruir os estigmas sociais. Além disso, o Governo Federal deve ampliar os investimentos na área da saúde, por meio de recursos autorizados pelo Tribunal de Contas da União, com o intuito de garantir o cumprimento do artigo 6, ou seja, acesso a tratamentos de qualidade para os infectados e informações para evitar novos casos. Logo, será possível desmitificar a teoria de Dimenstin.