O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 10/11/2021
A obra cinematográfica “Filadélfia”, de 1993, apresenta a trajetória de um advogado que trabalha em um conceituado escritório de advocacia e que é demitido vertiginosamente após descobrir ser portador do vírus HIV. À vista disso, apesar dos anos transcorridos desde a produção e o lançamento do filme, o preconceito relacionado aos soropositivos é preocupante e ainda persiste. Isso ocorre sobretudo por causa do tabu associado ao sexo, que leva à desinformação e as outras graves consequências.
Nesse aspecto, a dificuldade de se falar sobre sexo, ainda tão presente na sociedade brasileira, está diretamente ligada à propagação dos ideais do cristianismo, uma das maiores religiões do mundo, que considera as relações sexuais como atos pecaminosos. Desse modo, por ser uma infecção sexualmente transmissível, discutir e desmitificar a imunodeficiência adquirida é muito complexo, tanto em ambiente familiar quanto em âmbito escolar, fazendo com que, muitas vezes, a ignorância se instale. Ademais, outro fator que torna essa educação sanitária uma tarefa complicada, é o fato da patologia ser historicamente associada aos grupos marginalizados socialmente - como os gays, trans, usuários de drogas e profissionais do sexo - de forma errônea, visto que o vírus pode ser transmitido independentemente desses fatores.
Dessa forma, a desinformação gerada a partir do estigma relacionado à HIV/AIDs promove a manutenção de mitos diversos acerca do diagnóstico, tratamento e, especialmente, acerca da transmissão. Assim, segundo Cecília Prado, psicoterapeuta formada pela Universidade de São Paulo, inúmeros soropositivos precisam lidar com a exclusão social, com o medo de agressões físicas e verbais, com a ansiedade e até mesmo com a depressão. Além disso, a discriminação direcionada aos contaminados dificulta o diagnóstico precoce de novos portadores do vírus e o tratamento adequado, fazendo com que o agente infeccioso vá sendo transmitido sem o conhecimento dos envolvidos.
Portanto, com o intuito de eliminar todo o preconceito ligado à infecção e de garantir a saúde física e psicológica dos portadores do vírus, é necessário que o Ministério da Saúde, em conjunto com ONGs voltadas para a causa, promova oficinas informativas com urgência. Isso deve ser feito por meio de grupos de discussão e palestras, ministradas por profissionais da saúde, em escolas e em centros de convivência, que desmitifiquem a doença, informem sobre as reais formas de transmissão, influenciem e ensinem sobre a importância da autoproteção e do uso de preservativos e influenciem a realização do teste após atitude de risco. Para que, dessa maneira, o apresentado em “Filadélfia” passe a ser apenas ficção.