O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 12/11/2021

A históriografia consta que entre as décadas de 80 e 90 houve um surto do vírus HIV, o qual matou milhares de pessoas do continente americano e africano. De maneira análoga a isso, é perceptível a existência de estigma, discriminção e exclusão por parte dos brasileiros perante aos portadores desta condição. Nesse prisma, evidencia-se que a ausência de informações e a construção e de uma “cultura discriminatória” acarretam o preconceito na sociedade brasileira quanto a sorologia positiva.

Em primeira análise, se torna indiscutível salientar a necessidade de informações sobre o vírus causador da AIDS, além do impacto que o estigma relacionado a ele gera. Sob essa ótica, é visível que o preconceito prejudica os esforços prestados no enfretamento dessa epidemia, pois, faz com que as pessoas tenham receio de procurar por dados, métodos e serviços que dimunuam o risco de infecção e temor quanto as suspeitas que poderão ser impostas ao seu estado sorológico. Dessa forma, se torna aparente a influência da sociedade quanto ao tratamento do doença, visto que, muitas pessoas desistem de se tratar por conta das atitudes que a própria impõe, o que leva muitos à óbito.

Além disso, é notório a existência de uma cultura discriminatória no Brasil, que afeta as relações entre pessoas que são soropositivo e as que testam negativo para esse. A filósofa Hannah Arent, em “banaliade do mal”, descreve que a medida que tomamos más decisões corriqueiramente, essas atitudes começam a ser vistas como comuns e acabam se tornando banais para o nosso meio social. Consoante a isso, é indiscutível a assimilação entre a teoria e a realidade da qual fazemos parte, dado que, as consequências de tais atos afetam negativamente a vida de toda uma comunidade, volvendo em um problema de maior escala.

Deprende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter o estigma associado ao vírus da imunodeficiência humana. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde em colaboração com o Ministério da Educação, investirem no repassamento de informações sobre a sorologia positiva, por meio de publicações em redes sociais, organização de palestras sobre o assunto, distribuição de panfletos e oferta de testes para o HIV, além de implantar nas escolas conhecimentos sobre esse tópico garantindo a adequação para cada faixa etária de forma educativa, afim de extinguir o preconceito quanto ao vírus causador da AIDS. Somente assim, será aniquilado qualquer pensamento errâneo quanto a imunodeficiência humana, não sendo mais possível retornar as mesmas situações de décadas atrás onde aconteceram inúmeras mortes.