O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 19/11/2021

O livro “Holocausto brasileiro”, escrito por Daniela Arbex, disserta sobre como os estudos acerca da psique humana no Brasil contribuíram para a formulação de preceitos inverídicos a respeito das enfermidades mentais no início do século XX. Mediante ao exposto, ao analisar o rápido processo de disseminação do antígeno da Aids pelo país nas duas últimas décadas no segundo milênio, constatam-se, paralelamente ao relato de Daniela Arbex, as atribuições errôneas no que rege aos portadores deste, o que evidencia o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira. Por isso, graças à segmentação e, consequentemente, à exclusão sociais, a conjectura assola a coletividade nacional.

Em primeiro plano, a fragmentação da sociedade ocasionada pela aversão à doença sexualmente transmissível corrobora a conjuntura. Nesse sentido, a obra literária “1984”, de George Orwell, retrata uma realidade distópica pautada majoritariamente em relações políticas, na qual aqueles deslocados deste setor, os chamados “proletas”, são segregados social e economicamente, o que divide o corpo coletivo em estamentos. Fora do universo lúdico, a partir do momento em que é criada uma repulsa mal formulada aos portadores do HIV, a comunidade brasileira sofre um processo de segmentação, desta vez pautada na saúde, o que corrompe a unidade da coletividade e traça conflitos internos, assim como alude a ficção. Logo, devido à divisão em fragmentos, a estigmatização do HIV é danosa ao todo.

Por conseguinte, a completa exclusão daqueles que possuem o antígeno da Aids emerge no país. Nesse viés, o livro “Anne Frank”, escrito por um judia na Segunda Guerra Mundial, discorre sobre a segregação e o posterior deslocamento da condição de cidadão da classe judaica da Alemanha nazista. Dessa maneira, no instante em que há o distanciamento da comunidade de portadores do HIV no Brasil, é retroalimentado o nefasto ciclo de segmentação, inivisibilização e exclusão destes, o que os afasta da noção de indivíduo social e transforma a coletividade em um ambiente hostil às vítimas, quadro com gênese em preceitos mal embasados e preconceituosos. Assim, graças aos obstáculos advindos do cenário, são necessárias medidas interventivas.

Portanto, depreende-se que a questão da estigmatização do HIV no Brasil é um desafio e carece de soluções. Sendo assim, o Ministério da Saúde, por meio de campanhas virtuais e presenciais que busquem a conscientização sobre os malefícios clínicos e socias da repulsa aos portadores do vírus, deve combater a disseminação de atribuições errôneas a respeito destes, a fim de desestimular a segmentação sofrida por estes e, desse modo, erradicar o cenário de invisibilização e exclusão daqueles que batalham contra a Aids, o que promoverá a inclusão e atenuará a aversão da sociedade a estas doenças, como outrora aludira Daniela Arbex no cunho psíquico.