O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 16/11/2021

O Brasil é um dos países com os melhores índices no combate à disseminação do vírus HIV. No entanto, pouco foi feito para impedir a manutenção do estigma relacionado aos portadores do retrovírus, o que resultou num inaceitável quadro de preconceitos e de disseminação de tabus. Dessa forma, é imprenscindível uma postura mais atuante da esfera pública a fim de mitigar tal problemática, que fere a Constituição.

Com efeito, a sociedade brasileira é uma das mais diversificadas do mundo e isso deveria ser refletido no respeito ao outro. Porém, princípios, como a isonomia - presente na Constituição Federal - é ferido quando alguém com algum problema de saúde é impedido de acessar um local de lazer ou, até mesmo, de trabalhar, devido à recusa do convívio laboral por indivíduos que se baseiam em tabus para justificar o sentimento de integridade física ameaçada. Esse cenário excludente faz parte da vida de muitos infectados pelo HIV. Dessa forma, há a necessidade de atuação do estado para educar os brasileiros e desconstruir a desinformação implantada na sociedade a respeito, pois, o ser humano, segundo Kant, é aquilo que a educação faz dele.

Sob outra pespectiva, fica evidente a necessidade de voltar a falar sobre AIDS na mídia, principalmente na TV Brasil, canal do Governo Federal. No auge do “Rock’n’Roll” , anos 80, a doença da imunossupreção afetou grandes artistas, como Cazuza, Freddie Mercury e Renato Russo, o que instigou o debate nos canais televisivos, ora assombrando o público, ora informando-o e motivando-o à prudência. Com o crescente número de casos de HIV anualmente, segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, faz-se necessário, novamente, um debate informativo neste meio.

Para derrotar o estigma associado ao HIV é preciso, portanto, que tanto a desinformação, quanto o vírus parem de circular. Isso seria viável se o Ministério da Educação, por meio de escolas, universidades e quadros na TV Brasil, implementasse um projeto de cunho informativo, tendo a presença de infectologistas, com a finalidade de desmitificar e desmentir bases que sustentam o preconceito e tabus sobre a forma de transmissão do vírus. Só assim, a sociedade verde-amarela poderá desfrutar do princípio da isonomia.