O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 18/11/2021
Uma pesquisa feita pela “agenciabrasil.ebc.com.br” afirma que 46% dos entrevistados, portadores do vírus HIV, dizem que já sofreram comentários discriminatórios por serem soropositivo. Esse dado mostra que, apesar de superarmos a mortalidade dessa doença, ainda não vencemos o preconceito e o estigma associado a esse vírus no Brasil. Nesse contexto, esse estigma afeta o doente de duas maneiras negativas, pois desistimula a continuação do tratamento e promove a exclusão social.
A princípio, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o respeito e a consideração é um direito inalienável do cidadão. Isso significa que esse direito é irrevogável e não pode ser tolhido por leis humanas. No entanto, quando o assunto é o portador do vírus HIV, essa faculdade é comumente tolhida pelas pessoas que discriminam e fazem comentários preconceituosos a respeito desse portador. Como consequência disso, o doente se sente desconfortável por sua condição de saúde e não vê mais motivo pra continuar convivendo com o vírus, pois a presença dele está sendo o motivo da desconsideração por parte dos outros. Portanto, o soropositivo, quando não há o apoio e o acolhimento, acaba cedendo ao preconceito e, muita das vezes, opta por desistir do tratamento.
Ademais, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que vivemos em uma modernidade líquida, na qual as relações sociais, econômicas e de produção são frágeis e maleáveis, como os líquidos. Para o escritor, estamos numa epóca na qual as coisas mudam com extrema facilidade. No entanto, não é o que vemos quando trata-se do vírus HIV, uma vez que, no início do século XXI, o Brasil sofreu um surto desse vírus, o qual pensava-se que era de fácil transmissão e contaminação. Porém, mesmo após descobrir que a transmissão é feita através do contato sexual, a mentalidade das pessoas não mudou e continuam pensando que a presença do soropositivo oferece risco as demais pessoas que estão em volta, e acabam excluíndo o doente de convívios sociais, como festas e até encontros familiares.
É evidente, portanto, que o estigma associado ao vírus HIV no Brasil promove a exclusão e desestimula o portador desse vírus a continuar seu tratamento. Logo, é necessário que grandes empresas de telecomunicações, como o instagram e o facebook, amenizem o preconceito, a discriminação e o estigma que os soropositivos sofrem, através de campanhas de conscientização nas redes sociais, nas quais profissionais especialistas no HIV apresentem tópicos com perguntas - como a transmisão é feita, por exemplo -, e o esclarecimento para essas dúvidas. Somado a isso, essas campanhas devem trazer mensagens de acolhimento e motivação ao doente, para que haja a maior garantia do direito ao respeito que todo indivíduo deveria ter, e que haja a desconstrução de um pensamento excludente de que o portador do vírus oferece riscos as demais pessoas a sua volta.