O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 20/11/2021
A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, em que se caracteriza pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o raciocínio do escritor difere totalmente do atual contexto brasileiro, uma vez que o estigma associado ao vírus HIV encontra-se presente na sociedade. Esse nefasto cenário ocorre não só pela negligência estatal, como também devido ao individualismo. Dessa maneira, faz-se essencial uma imperiosa análise dessa conjuntura.
A princípio, vale ressaltar que a omissão do governo federal colabora para a existência desta problemática. Haja vista que a falta de discussão acerca do assunto nas redes de ensino evidencia um deficitário sistema educacional, fruto da ineficiência estatal frente esse panorama. Tal situação preocupante, de certo modo, pode colaborar para a formação de jovens que praticam o preconceito contra as pessoas soropositivas para o HIV, em razão do déficit informacional, sendo, por sua vez, um fator que reflete tanto na saúde física, quanto psíquica, bem como contribui massivamente para a cultura da violência na população. Dessa forma, nota-se que essa lacuna no aprendizado é capaz de interferir no comportamento humano e afetar o cotidiano desses sujeitos vulneráveis, o que, por consequência torna a mudança desse quadro urgente, já que, de acordo com a Constituição federal de 1988, o tratamento igualitário é um direito de todos.
Ademais, convém pontuar que o individualismo existente na nação vai de encontro com o problema. Em face disso, cabe abordar o conceito de Aristóteles, o qual afirma que todo indivíduo é um animal político que está acostumado a viver em coletividade. Todavia, esse pensamento do filósofo contradiz com a realidade brasileira, dado que a discriminação aplicada nas pessoas com HIV, advinda, geralmente, da aversão e do medo de transmissão da patologia, demonstra uma sociedade extremamente individualista e sem empatia com o próximo. Tal panorama, por sua vez, impacta na qualidade de vida desse grupo social, ao passo que compromete a inclusão deles nas reuniões familiares e no mercado de trabalho. Logo, são cruciais medidas que coíbam essa mazela.
Portanto, atitudes para reversão desta conjuntura são fundamentais. Desse modo, concerne ao Ministério da Educação, em parceria com a mídia, grande poder de influência, potencializar nas escolas a discussão sobre o preconceito perante a comunidade com HIV, visando, sobretudo, informar os jovens acerca do quão prejudicial é a prática dessa violência, em função de sua importância, por meio de palestras e debates dinânicos e educativos direcionados ao tema, a fim de diminuir o estigma relacionado ao vírus HIV na população. Feito isso, será possível a construção de uma nação que aproxima-se da apresentada por Thomas More.