O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 20/12/2021

Durante a década de 80, foi registrado o maior surto de HIV no Brasil, um vírus transmitido por meio de relações sexuais não protegidas e produtos sanguíneos, causando milhares de mortes. Com o avanço científico, a taxa de mortalidade vem diminuindo progressivamente e, com o tratamento adequado, pessoas conseguem viver com a doença durante toda a vida. Porém, mesmo já não significando uma sentença de morte, os estigmas do passado ainda cercam os indivíduos, sendo associados à promiscuidade, devido a transmissão sexual, e sofrendo uma forte marginalização social.

Em primeiro plano, é importante ressaltar a associação à promiscuidade como um dos principais estigmas ligados as pessoas portadoras do vírus HIV. O documentário “Carta para além dos muros”, disponível na Netflix, foca no início da evolução da doença e como ela foi fortemente associada à comunidade gay, que até hoje é vista com um teor de obscenidade. A ignorância e o julgamento daqueles que ainda ligam soropositivos a esse tipo de comportamento é um dos motivos de que muitas pessoas, principalmente o público feminino, sentem medo de procurar ajuda.

Em segundo plano, é necessário destacar a marginalização social como uma das experiências mais comuns entre os indivíduos diagnosticados com HIV. A discriminação contra soropositivos atinge vários âmbitos, desde atividades sociais, até o ambiente de trabalho. De acordo com uma pesquisa realizada pela Organização Internacional do Trabalho, 40% dos respondentes acreditam que pessoas infectadas não deveriam trabalhar com pessoas saudáveis. Esse tipo de opinião apenas reforça o estigma a cerca da transmissão, devido a falta de conhecimento.

Tendo em vista o que foi discutido, conclui-se que a presença desses estigmas em relação ao vírus causa um impacto negativo na sociedade brasileira. O papel da mídia é fundamental nesse caso, ao colocar propagandas informativas sobre a transmissão e convívio com o HIV, visando atingir a população madura. Assim, será possível quebrar alguns dos estigmas que dificultam tanto a vida dos soropositivos brasileiros.